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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

CURAR AS FERIDAS

Frei Mário Sérgio, ofmcap

É impressionante o número de pessoas feridas ultimamente. Pessoas que carregam verdadeiros e profundos traumas ao longo de sua existência. Tornam-se amargas, difíceis para a convivência, magoadas e magoantes, desesperançosas, desconfiadas, solitárias, sofredoras. Tudo isso e muito mais por feridas abertas e não-cicatrizadas no mais profundo do seu ser, de sua alma, de seu coração.
Existir e ser reconhecido, eis as duas grandes aspirações do ser humano! Essas aspirações são fundamentadas e alicerçadas na infância. Existir e ser reconhecido caminham na direção de desvelar o que a pessoa é em si mesma e não pode deixar de ser. A busca das causas da maioria das feridas psicológicas evidencia sua relação direta com uma frustração importante da necessidade de ser reconhecido tal como se é. A criança é muito mais vulnerável às feridas do que o adulto. Por isso, a maioria das feridas que carregamos é da nossa infância. Algumas feridas acontecem na fase adulta (perda do emprego, divórcio, agressão, morte de alguém querido, acidente, etc.). Essas causam menos danos do que as adquiridas na infância. O adulto se protege melhor. Porém, geralmente, essas feridas atingem, nos adultos, áreas já feridas na infância.
Nossas feridas têm fatores externos, causadas por palavras de: rejeição, negação, zombaria, ironia, chantagem, ciúme, desvalorização, injúria, mentira, calúnias, a lista é interminável. Ou gestos de: violência, desprezo, rejeição, desrespeito ao corpo. Atos: tirania, vingança, abandono, etc. Acontecimentos: morte de alguém da família, separação dos pais, acidente, doença grave. Toda pessoa ferida se sente como um não-existente, eis o trauma! Toda alma ferida tem uma imagem negativa e destruidora de si mesma.
As feridas do passado, quando não curadas, prejudicam o bom funcionamento da pessoa. Em resumo, sua presença no psiquismo do ser humano é nefasta, tanto para si mesmo quanto para o seu entorno. Pare um pouco e pense: quantas pessoas que você ama já foram atingidas pelas suas feridas não-cicatrizadas, não-curadas?
Jesus, ao longo do seu ministério, passou pelo mundo fazendo o bem e curando todas as pessoas pelo caminho. Os relatos de cura são impressionantes. Porém, o que me desperta mais a atenção, é que Jesus sempre minimizou o efeito das diversas enfermidades e lançava-se, imediatamente, nas possíveis causas, ou na causa maior. Jesus curava a partir do interior das pessoas. Curava as feridas da alma. Fazia com que a pessoa se sentisse amada por Deus, re-inserida no seio da sociedade, acolhida, enfim, Jesus dizia, por gestos, àquelas almas feridas: eu sei que você existe e meu Pai que está no céu também o sabe! As palavras de Jesus, depois das curas, despertavam todas as potencialidades daquelas pessoas: a tua fé te curou, a tua fé te salvou, ninguém te condenou e eu também não te condeno, vem para o meio, seja curado. Eram palavras poderosas que só quem as ouviu poderia descrever o poder terapêutico delas. Curar, para Jesus, era restaurar a pessoa na sua totalidade. Jesus cicatrizava, exatamente, a ferida que aprisionava, paralisava, adoecia, excluía, matava, aqueles que o procuravam. Por isso, sua cura era plena!
O Senhor conhece nossas feridas, nossas dores, nossa alma, em profundidade, como nos lembra o salmo 138: “Senhor, vós me sondais e conheceis (...) de longe penetrais meus pensamentos”. E continua: “Mesmo as trevas para vós não são escuras, a própria noite resplandece como o dia, e a escuridão é tão brilhante como a luz (...) até o mais íntimo, Senhor, me conheceis; nenhuma sequer de minhas fibras ignoráveis”. O Espírito Santo pode nos ajudar a curar nossas feridas. Com Jesus tudo pode ser mudado pela força da oração. Porém, precisamos dar alguns passos: ter a consciência de ter sido ferido, ter as forças necessárias, estar motivado a curar e aceitar o tempo que isto exige, fazer-se ajudar. Depois, o grande bem que a cura pode nos possibilitar é o de saber que somos muito mais do que as nossas feridas e que nossa história de vida pode ser bem melhor do que a traçada por mim e pelas minhas feridas até agora. Aproveite o hoje para começar seu processo de cura interior.

Um comentário:

  1. Muito bom, Deus lhe abençoe. Pe. Dimar [http://www.dimarsantos.com]

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