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FOTOS QUE EVANGELIZAM

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SEMANA DA FAMÍLIA 2014

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

QUARTA-FEIRA DE CINZAS


Frei Mário Sérgio, ofmcap

Como não tornar os momentos fortes da nossa fé, em meras repetições? Gestuais sem sentido, sem conexão com a vida que se vive? Que reflexão propor que ainda ninguém tenha falado, escrito, pregado? As redes sociais não se cansam de anunciar que estamos no tempo de quaresma, portanto, de conversão, de mudança, de transformação. Mas, qual o efeito de tudo isso na vivência da fé cristã?

As leituras desta quarta-feira de cinzas apontam para um mesmo caminho: as práticas silenciosas da piedade cristã. Ora, pensar em silêncio quando o mundo só pensar em publicar? No mundo do marketing, das técnicas de melhor aproveitamento das redes sociais para vender um produto, tem sentido esconder as coisas da fé? Então, de qual escondimento fala a Sagrada Escritura?

Na primeira leitura (Joel 2.12-18) surge o primeiro escondimento: “rasgai o coração, e não as vestes, e voltai para o Senhor, vosso Deus” (v.13). O perigo de associar a prática religiosa ao espetáculo sempre foi uma tentação presente na Bíblia. O ato que querer aparecer como alguém de piedade, de devoção, de contrição, assim, gozando de um prestígio junto à comunidade, pode tornar a religião, apenas, um ato social que não muda nada, nem ninguém, apenas servindo de controle social. É uma religião, sem dúvida alguma, vazia, estéril, sem frutos. Por isso, o apelo para rasgar o coração (interioridade) e não as vestes (exterioridade), expressa o desejo de Deus para os crentes: mudança interior, sincera, verdadeira, maturada e profunda.

No salmo, aparece outro escondimento: “O meu pecado está sempre à minha frente” (50(51), 2). Importante nunca perder a dimensão do pecado em nossas vidas. Ter o pecado à frente, não é viver um eterno complexo de culpa, até porque a culpa teológica não é culpa psicológica. Culpa teológica é consciência do bem que deveria fazer e não se fez. Culpa psicológica é uma sensação angustiante de uma consciência de um erro, que pode ser real ou virtual. Num mundo onde a noção de pecado se perde a cada dia, as barbáries se tornam mais assustadoras, o individualismo gritante cresce, o secularismo se esparrama, e toda sorte de maldades tomam conta da sociedade. Sem noção de pecado, posso fazer o que quero, mesmo que isso implique a destruição de si mesmo, do mundo, do outro.

O Evangelho (Mateus 6,1-6.16-18) traz três atitudes/práticas que alicerçam a vida do crente em Deus porque todas exigem uma saída de si em direção ao outro. Porém, o próprio Jesus exorta ao escondimento de suas práticas. Exorta ao silêncio que deve acompanhar cada uma delas. A esmola deve ser dada sem tocar a trombeta; a oração deve ser feita no silêncio do quarto; e o jejum deve ser feito com cabeça lavada num cheiroso perfume. A esmola não é para o meu engrandecimento, a oração não é para a minha vaidade e o jejum não é para minha soberba. É interessante a linha tênue entre o bem que se deve fazer e o mal que se faz ou que aparece travestido de boas intenções.

Jesus sempre se preocupou com a intenção do coração humano. A religião não pode servir de canal para o extravasamento das vaidades, das soberbas, do engrandecimento de si próprio, da auto-incensação e toda sorte de outros venenos. Religião é para humanizar a pessoa. Por isso, o melhor exercício de humanização que a religião apregoa é o cuidado concreto com o outro, seja ele quem for e em qual situação estiver. É um exercício constante do Bom Samaritanismo! Assim, o Evangelho nos aponta três caminhos: esmola, oração e jejum.

A segunda leitura (II Coríntios 5,20-6,2) é sempre a experiência das comunidades da riqueza do antigo testamento, com o novo trazido por Jesus. O convite que Paulo faz aos Coríntios é: “Deixai-vos reconciliar com Deus” (v.20). Reconciliar? Sim! O pecado, isto é, a falta de amor, afasta a pessoa de Deus, não Deus da pessoa, que isso fique bem claro! Reconciliar é voltar à amizade com Deus! Paulo continua, “não recebam em vão a graça de Deus” (6,1). O caminho quaresmal é um convite aos peregrinos de ontem e de hoje: pela esmola, pelo jejum e pela oração, construiremos uma relação mais profunda com Deus e transformaremos as relações interpessoais.

Não podemos ficar protelando nossas atitudes, nossas mudanças. As cinzas de hoje nos lembram da vulnerabilidade da nossa vida. Não temos todo o tempo que pensamos que teremos. É a grande ilusão do ser humano: achar que terá tempo para tudo e não se preocupar em fazer o bem que se deve fazer. Por isso, São Paulo exorta: “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (6,2). A quaresma só está no início. Vamos aproveitar esse tempo favorável para uma mudança interior, silenciosa, discreta, mas que tenha reflexos claros na vida dos mais necessitados e na comunidade de fé, transformando a mundo numa espaço de uma saudável convivialidade. 

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LEITURAS:
  1. Primeira leitura - Jl 2,12-18
  2. Segunda leitura - 2Cor 5,20-6,2
  3. Salmo - Sl 50
  4. Evangelho - Mt 6,1-6.16-18

domingo, 12 de fevereiro de 2012

ESTUDO BÍBLICO - 6º Domingo do TC

6º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Frei Mário Sérgio, ofmcap

SITUANDO AS LEITURAS:
·         A cura do leprosos prolonga a manifestação do Filho de Deus e revela sua identidade
·         A fé do homem enfermo leva a confessar o poder de Jesus
·         A problemática dos doentes no tempo de Jesus
·         A lei cruel do puro e do impuro
·         Relação religião, exclusão social/espiritual e órgão regulador de saúde

RECORDANDO A PALAVRA:
·         Jesus não exita em curar. Ele é o portador da salvação do Pai
·         A cura é o encontro do puro (Jesus) com o impuro (enfermo)
·         A cura tem um aspecto sacramental: gestos, palavras
·         Jesus cura e se preocupa com a re-inserção social: manda o curado procurar o sacerdote para legitimar (sócio-religiosamente) e voltar à vida normal
·         Segredo messiânico: Jesus não queria ser confundido com o messianismo popular. O messianismo de Jesus: passa pela cruz e pela identificação com os excluídos.

ATUALIZANDO A PALAVRA:
·         O que é ser discípulo missionário diante desse evangelho?
·         Ser cristão vai além do viver um rol de preconceitos morais
·         Quem são os leprosos da nossa sociedade? O que é lepra em nossa sociedade? Quais são as minhas lepras pessoais?
·         Atitude do BOM PASTOR e nosso desafio pastoral: ir ao encontro das ovelhas feridas, doentes, machucadas

LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO LITÚRGICA:
·         A eucaristia é o encontro do puro (Deus) com os impuros (humanidade). É o alimento dos fracos!
·         A comunidade de fé faz a mesma experiência do homem purificado: aproxima, suplica e sai tocada pela força do sacramento (Palavra e Eucaristia)

DICAS LITÚRGICAS:
·         Que o ato penitencial expresse a manifestação e a misericórdia do Pai
·         A oração eucarística VI-D “Jesus que passa pelo mundo fazendo o bem” é a melhor opção. Une as mesas.
·         Algum gesto para com os doentes da comunidade? Qual?
Fonte: Roteiros homiléticos – Projeto “O Brasil na missão continental” – Nº 19.

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LEITURAS BÍBLICAS DESTE DOMINGO:

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

FOTOS DA POSSE NA PARÓQUIA SANTO ANTÔNIO - FEIRA/BA



PRONUNCIAMENTO DA POSSE

Meus queridos irmãos e irmãs! Querido ouvinte da Rádio Sociedade! Queridos romeiros e romeiras, devotos de Santo Antônio! Excelentíssimo Dom Itamar Viana! Querido Ministro Provincial, Frei Rubival Cabral! Saúdo o guardião do nosso Convento e nele todos os demais confrades, Frei Elenilson Pereira. Saúdo também ao Frei Luiz Alberto, pároco cessante.
No meu comunicado de transferência ao Povo querido e amado de Salvador, eu dizia: se vocês me amam, deixe-me partir! Entrei na Ordem dos Capuchinhos por amor à missão. E, tenho certeza absoluta que só serei feliz vivendo essa itinerância. Ao receber o convite do Provincial para assumir a Paróquia de Santo Antônio, confesso que senti um frio na barriga, afinal, não passava pelos meus projetos pessoais. Mas, Deus tem seus caminhos e com oração e muito diálogo, construímos, juntos, um discernimento e eu disse para Frei Rubival: eis-me aqui, envia-me! Desde já, agradeço aos amigos que vieram em caravanas de Salvador prestar essa homenagem a mim, mesmo com a violência que assola nosso Estado!
Chego a esta paróquia com a experiência de cinco anos a frente da Igreja da Piedade, a mãe de todas as nossas igrejas da Bahia e Sergipe. Amo a pastoral e o Povo de Deus. Mas, trago neste momento, apenas, meus ouvidos e meus olhos: quero ouvir o maior número de agentes de pastoral, do Povo de Deus, dos confrades, do nosso bispo, do clero; e quero observar a caminhada da paróquia e da arquidiocese antes de qualquer coisa.
Comprometo-me em cuidar de cada ovelha que o Senhor me confiar e não deixar nenhuma delas se perder. Terei um olhar carinhoso para a juventude, para as vocações e para a família. Mas, sobretudo, vamos continuar o trabalho desenvolvido pelos confrades ao longo dos tempos aqui nesta paróquia.
Agradeço ao Frei Beto pelo carinho, pela atenção, pela transparência e pela lucidez com que fizemos a nossa transição. Frei Beto o povo de Feira de Santana te ama! E essa casa sempre estará de portas abertas para acolhê-lo o dia a hora que você desejar ou precisar!
Ao querido Dom Itamar Vian, meu agradecimento especial e um pedido: ajude-me a ser pastor, segundo o Coração de Jesus. Quero ajudar este arquidiocese no quer for necessário e naquilo que Nosso Senhor me capacitou. Nossa paróquia caminhará profundamente unida ao projeto pastoral arquidiocesano.
Aos queridos romeiros e romeiras, certamente continuaremos o belíssimo trabalho desenvolvido por Frei Beto e terei a oportunidade de encontrá-los pessoalmente para abraçá-los e firmar nossa parceria rumo à construção do reinado do Senhor. “Salve, salve a caminhada, salve, salve a romaria, em busca de uma nova aurora, de um novo dia”.
Aos que vieram de longe e de perto, aos meus familiares e amigos, muito obrigado pela presença de cada um de vocês!
Meus queridos paroquianos e paroquianas, por fim, eu já os acolhi como minha nova família. Espero contar com as orações de todos vocês, com a acolhida, com a disponibilidade de cada um. O que tiver ao meu alcance, não pouparei esforços em realizar! Ajudem-me a ser padre e pastor e eu os ajudo a ganhar a vida eterna!

Frei Mário Sérgio, ofmcap
Feira de Santana, 05 de fevereiro de 2012

domingo, 25 de dezembro de 2011

Reflexão da Liturgia do Natal (missa do dia, 25/12)

E a Palavra se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14).

Frei Mário Sérgio, ofmcap

É Natal! Deus armou a sua tenda e veio morar entre nós. Não se contentou em, apenas, criar o ser humano, mas quis humanizar-se. Assim, o Natal é uma troca de presentes, de dons: dos homens, Deus recebeu a carne e aos homens deu-lhes a divinização. Todas essas dimensões foram assumidas com total radicalidade. Jesus Cristo é plenamente humano. Mas, o ser humano ainda não se sente plenamente divinizado. Somos seres de incompletude!

O natal é a festa da bondade da Trindade. O Menino Jesus, Palavra encarnada, foi uma doação da Trindade para a construção do mundo de paz e amor sonhado por Deus. Olhando para a Trindade, podemos experimentar a riqueza dessa espiritualidade: devo ofertar o que em mim há de melhor, sem nada reter. Esse é o espírito do verdadeiro natal: doação total.

O prólogo de João descreve a Palavra encarnada como a luz que veio ao mundo. O evangelista São João percebe nas contradições, nas antíteses, uma possibilidade de se fazer pensar a grandiosidade do evento natalino. No mundo envolto em trevas, a Grande Luz resplandeceu. Para os povos que andavam na escuridão, uma luz brilhou. Sem dúvida, pensar em Jesus Cristo como luz é entender profundamente sua missão no meio da humanidade. “Nela estava a vida e a vida era a luz dos homens” (Jo 1,4).

Mas, a vida do Menino Jesus, a Palavra encarnada, não seria tão tranqüila no meio dos homens e mulheres. “A Palavra (Jesus) estava no mundo, mas o mundo não quis conhecê-la. Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram” (Jo 1,10-11). O Natal é um acontecimento que demonstra a verdade do coração de Deus e o desprezo do coração humano. O Menino Jesus nasceu sem que ninguém lhe oferecesse hospedagem digna; nasceu na periferia da cidade; nasceu na sujeira de um curral; nasceu despojado de tudo; e o pior: nasceu sem ser percebido por ninguém. A luz veio ao mundo e o mundo não a acolheu. Esse é o desprezo do coração humano ao evento do natal.

Por outro lado, “De Sua plenitude todos nós recebemos graça por graça” (Jo 1,16). Os pobres, os pastores, os camponeses, essa gente simples toda, consegui seguir e encontrar a luz que vinha de uma gruta em Belém. Foram surpreendidos com o Deus tão esperado pelos seus antepassados deitado numa manjedoura, simples com eles, pobre como eles, vulnerável como eles, excluído como eles. Um Deus que não teve vergonha de assumir a miséria humana. Aquela criança pobrezinha de Nazaré é o Deus Conosco.

No natal de Jesus, o universo parou. Tudo parou para adorá-Lo. Os pastores O adoraram; os Anjos O adoraram; os reis do oriente O adoraram; o universo, na estrela, O adorou; os animais de estrebaria O adoraram; Maria e José O adoraram. Os corações abertos ao novo trazido por aquela criança dobrou os joelhos e o adoraram. Deus veio construir comunhão de vida entre o divino e o humano, através da força do amor. Que a nossa vida seja acolhimento alegre e agradecimento desse imenso dom, que se renova em cada Natal.


 LITURGIA DA PALAVRA:
  1. Primeira leitura - Is 52,7-10
  2. Segunda leitura - Hb 1,1-6
  3. Salmo - Sl 97
  4. Evangelho - Jo 1,1-18

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

REFLEXÃO DE NATAL

A MANJEDOURA E A PATENA

Frei Mário Sérgio, ofmcap

            Será que tem alguma conexão entre a manjedoura e a patena? A manjedoura é o lugar onde os animais comem no curral; a patena é o lugar onde se coloca a hóstia que se tornará o Corpo de Cristo. Aparentemente, idéias discrepantes, mas teologicamente semelhantes. O que une essas duas realidades é o próprio Jesus Cristo.

            O nascimento do Menino Jesus, na gruta de Belém, deu-se num lugar inóspito para tal acontecimento, isto é, para uma mulher dar à luz. “Foram às pressas e encontraram Maria, José e o recém-nascido deitado na manjedoura” (Lc 2,15). Não havia lugar nas hospedarias, por conta do recenseamento exigido pelo Império Romano. A única alternativa para José e Maria era o lugar onde ficavam e comiam os animais.

            A ligação eucarística está pronta: na manjedoura, a criança encontrou seu aconchego fora do ventre de Nossa Senhora. Mas, desde o seu nascimento, Jesus já se fazia alimento, comida, pão vivo descido do céu, eucaristia. Contemplar a manjedoura é compreender a missão do Menino Jesus: ser alimento para a humanidade faminta de Deus. O detalhe e a entre-linha do texto bíblico, anuncia outra maravilha teológica: “Envolveu com faixas e o reclinou na manjedoura” (Lc 2, 7). O episódio do sepultamento lembra o mesmo ritual do nascimento: “Eles tomaram então o corpo de Jesus e o envolveram em panos” (Jo 19, 40). A manjedoura e a cruz, na vida de Jesus, são indissociáveis.

            Se a manjedoura é eucarística, a cruz também o é. Por isso, a patena é a síntese da manjedoura e da cruz. Nela, acontece o memorial da paixão-morte-ressurreição de Jesus. O milagre eucarístico da Santa Missa é a atualização do nascimento e da paixão do Senhor. A patena é ao mesmo tempo manjedoura e cruz. Manjedoura porque o Cristo é alimento; cruz porque é o ápice da redenção.

            Toda Missa celebrada, em qualquer parte do mundo, é uma celebração de Natal, de Páscoa, de Quaresma, de Advento. Ela é o ápice da vida cristã. Que essa consciência da Santa Missa aumente nosso desejo de comunhão diária, profunda e transformadora. Alimentados pela eucaristia para transformar o mundo. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Abertura do programa de rádio (segunda, 05/12/11)

Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo”. (Is 35,4).

Frei Mário Sérgio, ofmcap

            A experiência do Exílio da Babilônia foi avassaladora para o Povo de Deus. Passaram da liberdade para a escravidão; do culto ao único Deus para a idolatria dos Babilônicos; saíram de suas casas, para servirem na casa dos outros. Nesse período, os judeus entenderam que estavam pagando pelos erros cometidos, as ofensas, as idolatrias contra Deus e acabaram escravizados.

            Depois de quase 50 anos da mais cruel escravidão, Ciro, rei dos persas, destruiu a babilônia e libertou o povo de Deus que era cativo naquelas terras. Nessa libertação, o povo experimentou a mão de Deus que nunca abandona seus filhos, mesmo que a libertação demore, mas no tempo de Deus ela aconteceria. O desafio, agora, era voltar para suas terras e encontrar tudo destruído, arrasado, abandonado, sem vida. No coração daqueles homens e mulheres, uma pergunta ficava sem resposta: como vamos reconstruir nossas vidas aqui? Teriam que começar do zero, do nada.

            O profeta Isaías tinha a missão divina de animar o coração daquele povo. Não tem nada mais difícil do que animar alguém. Exige um esforço sobrenatural de quem se propõe a esse feito. Como é difícil animar uma esposa traída a não desistir do seu casamento e a perdoar; como é difícil tirar alguém da depressão; como é difícil ajudar um jovem a sair das drogas; como é difícil levar paz ao coração dos pais que sofrem com seus filhos; como é difícil animar um pai, um jovem, uma mulher desempregados; como é difícil ajudar alguém a perdoar uma ofensa, uma mágoa, um ressentimento, uma traição. Por isso, Deus disse a Isaías: “Dizei às pessoas deprimidas: criai ânimo, não tenhais medo”.

            Isaías sabia que, humanamente, era difícil essa missão. Mas, pela força do Espírito do Senhor, que age na vida do missionário, do profeta, do batizado e da batizada, nada é impossível. Quando Deus nos manda animar alguém, tirar uma pessoa da depressão, motivar as famílias ao amor, não tem barreira que não caia por terra. Por isso, quando o Povo de Deus voltou para sua terra, que estava destruída, conseguiram força e esperança, ouvindo as palavras do profeta, que eram palavras do próprio Deus.

            Precisamos aprender essa lição: muitas vezes nossa vida está como essa terra de Israel, destruída, sem vida, sem esperança, sem motivação, sem alegria, sem perspectiva, sem sonhos. É problema na família, no casamento, na saúde, nas finanças, na vida espiritual, na fé. É uma sensação que não temos mais forças para lutar, não temos mais fé para continuar acreditando e nem temos olhos para ver a mão de Deus realizando pequenos milagres todos os dias. Escutemos o Deus que nos fala ao nosso coração: criai ânimo, não tenham medo, eu estou contigo nos sofrimentos e nas suas alegrias, ajudando-lhe a reconstruir a sua vida. Confie em Mim.