Um olhar despretencioso sobre o mundo, a sociedade, a vida, as pessoas... Um olhar franciscano que contempla e acende a luz da esperança para ancorar nosso viver em Deus.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
PRONUNCIAMENTO DA POSSE
Meus queridos irmãos e irmãs! Querido ouvinte da Rádio Sociedade! Queridos romeiros e romeiras, devotos de Santo Antônio! Excelentíssimo Dom Itamar Viana! Querido Ministro Provincial, Frei Rubival Cabral! Saúdo o guardião do nosso Convento e nele todos os demais confrades, Frei Elenilson Pereira. Saúdo também ao Frei Luiz Alberto, pároco cessante.
No meu comunicado de transferência ao Povo querido e amado de Salvador, eu dizia: se vocês me amam, deixe-me partir! Entrei na Ordem dos Capuchinhos por amor à missão. E, tenho certeza absoluta que só serei feliz vivendo essa itinerância. Ao receber o convite do Provincial para assumir a Paróquia de Santo Antônio, confesso que senti um frio na barriga, afinal, não passava pelos meus projetos pessoais. Mas, Deus tem seus caminhos e com oração e muito diálogo, construímos, juntos, um discernimento e eu disse para Frei Rubival: eis-me aqui, envia-me! Desde já, agradeço aos amigos que vieram em caravanas de Salvador prestar essa homenagem a mim, mesmo com a violência que assola nosso Estado!
Chego a esta paróquia com a experiência de cinco anos a frente da Igreja da Piedade, a mãe de todas as nossas igrejas da Bahia e Sergipe. Amo a pastoral e o Povo de Deus. Mas, trago neste momento, apenas, meus ouvidos e meus olhos: quero ouvir o maior número de agentes de pastoral, do Povo de Deus, dos confrades, do nosso bispo, do clero; e quero observar a caminhada da paróquia e da arquidiocese antes de qualquer coisa.
Comprometo-me em cuidar de cada ovelha que o Senhor me confiar e não deixar nenhuma delas se perder. Terei um olhar carinhoso para a juventude, para as vocações e para a família. Mas, sobretudo, vamos continuar o trabalho desenvolvido pelos confrades ao longo dos tempos aqui nesta paróquia.
Agradeço ao Frei Beto pelo carinho, pela atenção, pela transparência e pela lucidez com que fizemos a nossa transição. Frei Beto o povo de Feira de Santana te ama! E essa casa sempre estará de portas abertas para acolhê-lo o dia a hora que você desejar ou precisar!
Ao querido Dom Itamar Vian, meu agradecimento especial e um pedido: ajude-me a ser pastor, segundo o Coração de Jesus. Quero ajudar este arquidiocese no quer for necessário e naquilo que Nosso Senhor me capacitou. Nossa paróquia caminhará profundamente unida ao projeto pastoral arquidiocesano.
Aos queridos romeiros e romeiras, certamente continuaremos o belíssimo trabalho desenvolvido por Frei Beto e terei a oportunidade de encontrá-los pessoalmente para abraçá-los e firmar nossa parceria rumo à construção do reinado do Senhor. “Salve, salve a caminhada, salve, salve a romaria, em busca de uma nova aurora, de um novo dia”.
Aos que vieram de longe e de perto, aos meus familiares e amigos, muito obrigado pela presença de cada um de vocês!
Meus queridos paroquianos e paroquianas, por fim, eu já os acolhi como minha nova família. Espero contar com as orações de todos vocês, com a acolhida, com a disponibilidade de cada um. O que tiver ao meu alcance, não pouparei esforços em realizar! Ajudem-me a ser padre e pastor e eu os ajudo a ganhar a vida eterna!
Frei Mário Sérgio, ofmcap
Feira de Santana, 05 de fevereiro de 2012
domingo, 25 de dezembro de 2011
Reflexão da Liturgia do Natal (missa do dia, 25/12)
E a Palavra se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14).
Frei Mário Sérgio, ofmcap
É Natal! Deus armou a sua tenda e veio morar entre nós. Não se contentou em, apenas, criar o ser humano, mas quis humanizar-se. Assim, o Natal é uma troca de presentes, de dons: dos homens, Deus recebeu a carne e aos homens deu-lhes a divinização. Todas essas dimensões foram assumidas com total radicalidade. Jesus Cristo é plenamente humano. Mas, o ser humano ainda não se sente plenamente divinizado. Somos seres de incompletude!
O natal é a festa da bondade da Trindade. O Menino Jesus, Palavra encarnada, foi uma doação da Trindade para a construção do mundo de paz e amor sonhado por Deus. Olhando para a Trindade, podemos experimentar a riqueza dessa espiritualidade: devo ofertar o que em mim há de melhor, sem nada reter. Esse é o espírito do verdadeiro natal: doação total.
O prólogo de João descreve a Palavra encarnada como a luz que veio ao mundo. O evangelista São João percebe nas contradições, nas antíteses, uma possibilidade de se fazer pensar a grandiosidade do evento natalino. No mundo envolto em trevas, a Grande Luz resplandeceu. Para os povos que andavam na escuridão, uma luz brilhou. Sem dúvida, pensar em Jesus Cristo como luz é entender profundamente sua missão no meio da humanidade. “Nela estava a vida e a vida era a luz dos homens” (Jo 1,4).
Mas, a vida do Menino Jesus, a Palavra encarnada, não seria tão tranqüila no meio dos homens e mulheres. “A Palavra (Jesus) estava no mundo, mas o mundo não quis conhecê-la. Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram” (Jo 1,10-11). O Natal é um acontecimento que demonstra a verdade do coração de Deus e o desprezo do coração humano. O Menino Jesus nasceu sem que ninguém lhe oferecesse hospedagem digna; nasceu na periferia da cidade; nasceu na sujeira de um curral; nasceu despojado de tudo; e o pior: nasceu sem ser percebido por ninguém. A luz veio ao mundo e o mundo não a acolheu. Esse é o desprezo do coração humano ao evento do natal.
Por outro lado, “De Sua plenitude todos nós recebemos graça por graça” (Jo 1,16). Os pobres, os pastores, os camponeses, essa gente simples toda, consegui seguir e encontrar a luz que vinha de uma gruta em Belém. Foram surpreendidos com o Deus tão esperado pelos seus antepassados deitado numa manjedoura, simples com eles, pobre como eles, vulnerável como eles, excluído como eles. Um Deus que não teve vergonha de assumir a miséria humana. Aquela criança pobrezinha de Nazaré é o Deus Conosco.
No natal de Jesus, o universo parou. Tudo parou para adorá-Lo. Os pastores O adoraram; os Anjos O adoraram; os reis do oriente O adoraram; o universo, na estrela, O adorou; os animais de estrebaria O adoraram; Maria e José O adoraram. Os corações abertos ao novo trazido por aquela criança dobrou os joelhos e o adoraram. Deus veio construir comunhão de vida entre o divino e o humano, através da força do amor. Que a nossa vida seja acolhimento alegre e agradecimento desse imenso dom, que se renova em cada Natal.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
REFLEXÃO DE NATAL
A MANJEDOURA E A PATENA
Frei Mário Sérgio, ofmcap
Será que tem alguma conexão entre a manjedoura e a patena? A manjedoura é o lugar onde os animais comem no curral; a patena é o lugar onde se coloca a hóstia que se tornará o Corpo de Cristo. Aparentemente, idéias discrepantes, mas teologicamente semelhantes. O que une essas duas realidades é o próprio Jesus Cristo.
O nascimento do Menino Jesus, na gruta de Belém, deu-se num lugar inóspito para tal acontecimento, isto é, para uma mulher dar à luz. “Foram às pressas e encontraram Maria, José e o recém-nascido deitado na manjedoura” (Lc 2,15). Não havia lugar nas hospedarias, por conta do recenseamento exigido pelo Império Romano. A única alternativa para José e Maria era o lugar onde ficavam e comiam os animais.
A ligação eucarística está pronta: na manjedoura, a criança encontrou seu aconchego fora do ventre de Nossa Senhora. Mas, desde o seu nascimento, Jesus já se fazia alimento, comida, pão vivo descido do céu, eucaristia. Contemplar a manjedoura é compreender a missão do Menino Jesus: ser alimento para a humanidade faminta de Deus. O detalhe e a entre-linha do texto bíblico, anuncia outra maravilha teológica: “Envolveu com faixas e o reclinou na manjedoura” (Lc 2, 7). O episódio do sepultamento lembra o mesmo ritual do nascimento: “Eles tomaram então o corpo de Jesus e o envolveram em panos” (Jo 19, 40). A manjedoura e a cruz, na vida de Jesus, são indissociáveis.
Se a manjedoura é eucarística, a cruz também o é. Por isso, a patena é a síntese da manjedoura e da cruz. Nela, acontece o memorial da paixão-morte-ressurreição de Jesus. O milagre eucarístico da Santa Missa é a atualização do nascimento e da paixão do Senhor. A patena é ao mesmo tempo manjedoura e cruz. Manjedoura porque o Cristo é alimento; cruz porque é o ápice da redenção.
Toda Missa celebrada, em qualquer parte do mundo, é uma celebração de Natal, de Páscoa, de Quaresma, de Advento. Ela é o ápice da vida cristã. Que essa consciência da Santa Missa aumente nosso desejo de comunhão diária, profunda e transformadora. Alimentados pela eucaristia para transformar o mundo.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Abertura do programa de rádio (segunda, 05/12/11)
Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo”. (Is 35,4).
Frei Mário Sérgio, ofmcap
A experiência do Exílio da Babilônia foi avassaladora para o Povo de Deus. Passaram da liberdade para a escravidão; do culto ao único Deus para a idolatria dos Babilônicos; saíram de suas casas, para servirem na casa dos outros. Nesse período, os judeus entenderam que estavam pagando pelos erros cometidos, as ofensas, as idolatrias contra Deus e acabaram escravizados.
Depois de quase 50 anos da mais cruel escravidão, Ciro, rei dos persas, destruiu a babilônia e libertou o povo de Deus que era cativo naquelas terras. Nessa libertação, o povo experimentou a mão de Deus que nunca abandona seus filhos, mesmo que a libertação demore, mas no tempo de Deus ela aconteceria. O desafio, agora, era voltar para suas terras e encontrar tudo destruído, arrasado, abandonado, sem vida. No coração daqueles homens e mulheres, uma pergunta ficava sem resposta: como vamos reconstruir nossas vidas aqui? Teriam que começar do zero, do nada.
O profeta Isaías tinha a missão divina de animar o coração daquele povo. Não tem nada mais difícil do que animar alguém. Exige um esforço sobrenatural de quem se propõe a esse feito. Como é difícil animar uma esposa traída a não desistir do seu casamento e a perdoar; como é difícil tirar alguém da depressão; como é difícil ajudar um jovem a sair das drogas; como é difícil levar paz ao coração dos pais que sofrem com seus filhos; como é difícil animar um pai, um jovem, uma mulher desempregados; como é difícil ajudar alguém a perdoar uma ofensa, uma mágoa, um ressentimento, uma traição. Por isso, Deus disse a Isaías: “Dizei às pessoas deprimidas: criai ânimo, não tenhais medo”.
Isaías sabia que, humanamente, era difícil essa missão. Mas, pela força do Espírito do Senhor, que age na vida do missionário, do profeta, do batizado e da batizada, nada é impossível. Quando Deus nos manda animar alguém, tirar uma pessoa da depressão, motivar as famílias ao amor, não tem barreira que não caia por terra. Por isso, quando o Povo de Deus voltou para sua terra, que estava destruída, conseguiram força e esperança, ouvindo as palavras do profeta, que eram palavras do próprio Deus.
Precisamos aprender essa lição: muitas vezes nossa vida está como essa terra de Israel, destruída, sem vida, sem esperança, sem motivação, sem alegria, sem perspectiva, sem sonhos. É problema na família, no casamento, na saúde, nas finanças, na vida espiritual, na fé. É uma sensação que não temos mais forças para lutar, não temos mais fé para continuar acreditando e nem temos olhos para ver a mão de Deus realizando pequenos milagres todos os dias. Escutemos o Deus que nos fala ao nosso coração: criai ânimo, não tenham medo, eu estou contigo nos sofrimentos e nas suas alegrias, ajudando-lhe a reconstruir a sua vida. Confie em Mim.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Abertura do programa de rádio (segunda, 28/11/11)
Advento: tempo de espera
Maria esperou tanto o nascimento do seu filho, o filho de Deus, o Salvador. Deus esperou tanto pelo encontro pleno com a humanidade, sua criação, através de Jesus, seu filho enviado. Advento é tempo de espera e de preparo. Advento é o tempo de quatro semanas que antecede o natal. Tempo no qual nós nos preparamos espiritualmente para rememorar e celebrar a vinda do menino Jesus, a vinda de Deus criança, de Deus humilde, Deus humano. É o tempo reservado em nossa vida para parar e refletir, meditar, cantar e recontar a história do nascimento do menino Jesus.
É um tempo especial para pensar sobre o sentido da nossa vida, da nossa fé, da nossa esperança. Neste tempo, esperamos renovação na nossa vida pessoal, familiar, social, econômica... Porque acreditamos no poder e na promessa de Deus quando enviou seu filho ao mundo. Deus se humanizou, tornou-se criança pequena, humilde, para aproximar-se de maneira mais sublime de suas criaturas; tornou-se criança para encontrar acolhida em meio ao seu povo.
É um tempo em que muitas luzes são acesas nas casas e nas ruas das cidades, revelando o grande desejo humano de luz sobre toda a vida, e acendendo a sensibilidade humana e o desejo de que esta luz se transforme em vida abundante, desejo de que esta luz se torne concreta na vida cotidiana.
O tempo de advento, o tempo de natal, é um tempo em que as pessoas se sensibilizam, se alegram, se tornam abertas à comunhão, ao amor, ao perdão. É também um tempo em que as pessoas se entristecem, pois pensam em seus sonhos, em sua realidade, em sua vida, em sua falta de esperança e se apercebem de sua solidão, de sua pobreza... Ao mesmo tempo, é um tempo em que Deus nos convida a buscar um lugar, a lutar por acolhida, como Maria e José que bateram de porta em porta.
É, também, um tempo de oferecer hospitalidade. Hospitalidade para acolher outras pessoas em nossa comunidade, em nossa casa; e hospitalidade para acolher em nossa vida novos valores, novos pensamentos, novos referenciais; é tempo de acolher Deus, tempo de acolher a paz, tempo de anular a violência em nós e em nossa casa, tempo de anular o medo e o rancor. Que o tempo de advento seja em nossa vida um tempo de preparo para voltarmos ao que é mais pleno e puro na vida desejada por Deus.
Anete Roese
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Reflexão de abertura do PROGRAMA RESTAURAÇÃO - Rádio Excelsior AM840
Amanhã eu faço!
Frei Mário Sérgio, ofmcap
Para os acomodados de plantão, não tem frase mais corriqueira: amanhã eu faço! Passa-se o tempo, passam-se as oportunidades, passa-se a graça e a pessoa não agarra nada disso, porque não tem a coragem suficiente de se desalojar, de correr atrás, de se arriscar, de tentar. Prefere o conforto da mesmice ao risco da busca.
Pensar o tempo é algo que muitos pensadores já o fizeram. Santo Agostinho dizia que sabia o que era o tempo, mas se lhes perguntassem, já não sabia explicar. É isso mesmo: o tempo se vive, não se explica. A qualidade da vivência do meu tempo diz do meu compromisso com a minha vida. Não se trata de uma busca desenfreada por novidades, não é esse o assunto, mas de atitude frente à vida de sempre querer o crescimento pessoal.
O relógio do tempo não espera ninguém. Simplesmente ele passa! Quantas oportunidades já perdemos pelo medo de mudar? Quantas amizades já perdemos pelo orgulho de não perdoar? Quantas vidas machucamos pelo egoísmo de não querer ser diferente? O tempo passa rápido demais, não podemos nos perder em coisas pequenas, mesquinhas, banais...
Deus tem seu tempo também, que não é o nosso. O tempo dos homens escraviza. O tempo de Deus liberta. O tempo do homem angustia. O tempo de Deus restaura todas as coisas. O tempo dos homens é o cronos. O tempo de Deus é kairós, isto é, o tempo do hoje, do agora, do momento presente. Por isso, Deus age quando quer, no momento que quer, da forma que quer, porque o seu tempo (kairós) não se submete ao tempo do tempo (cronos).
Quer uma vida melhor? Comece agora! Quer uma família restaurada? Comece agora! Quer um casamento ungindo? Comece agora! Quer seu filho em Deus? Interceda agora! Quem deixa tudo para amanhã, talvez nunca chegue a realizar os projetos, nem os sonhos. Por isso, coragem, respire fundo, levante-se, saia da inércia e comece um novo tempo em seu existir. O tempo passa depressa e a vida é muito curta. Vivamos intensamente em Deus!
Assinar:
Postagens (Atom)

