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FOTOS QUE EVANGELIZAM

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SEMANA DA FAMÍLIA 2014

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Minha agenda de Carnaval:

Dias 14 e 15 - Pregação no Encontro Reviver em Cristo promovido pela RCC da Diocese de Eunápolis/BA.

Dia 16 - Pregação no Renascer da Comunidade Shalom em Salvador/BA às 14h30.

Peço as orações dos irmãos!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Primeira sexta-feira do mês

Primeira sexta-feira do mês de fevereiro. Dia em que a Igreja se coloca diante de Jesus Sacramentado orando pelas intenções do Santo Padre e de cada realidade em que a igreja está inserida. Todos os confrades capuchinhos estarão diante do Santíssimo Sacramento orando pelas suas necessidades particulares. Deixei o seu pedido de oração.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O valor das minhas lágrimas

Frei Mário Sérgio, ofmcap


A teia de complexidade que envolve o viver humano é, por demais, interessante. Um misto de dor, alegria, euforia, tristeza, excitação, prazeres. Vive-se, ao longo de um dia, apenas, todas essas emoções e sentimentos. Como é difícil administrar tudo isso. Muitos conseguem, outros tentam e, uma maioria, já perdeu a coragem de se enfrentar e crescer, e mudar, e administrar-se. Muitos perdem a capacidade de perceber suas riquezas de ser e de confiar em suas possibilidades e suas intuições.
Talvez não exista um termômetro tão eficaz para um mergulho em nossa alma do que as nossas lágrimas. As lágrimas que choramos são extraídas do poço que somos nós. A lágrima tem vida própria: fala, grita, acalma, conforta, silencia, agradece, denuncia. É muito rebelde. Em certos momentos, sai sem autorização. É autônoma e só faz o que quer. Por vezes, é hipócrita, fingida, interesseira e dissimulada. Mas, nós poderíamos crescer muito se ouvíssemos mais as nossas lágrimas. Elas afloram por razões esquisitas e, sem qualquer razão também, e nenhuma força terrena pode retê-las.
Se pensarmos em todas as lágrimas que choramos ao longo de nossa vida, poderíamos nos dar conta de que construímos um diário lacrimal. Elas diriam muito de quem somos hoje. E não são as lágrimas de uma traquinagem de infância, das quedas ao aprender andar de bicicleta, da cabeça que bateu em algum lugar, de um arranhão, mas lágrimas que vêm de um lugar que nem mesmo sabemos onde, mas que ela conseguiu tocar e atingir. Cada lágrima que rola em meu rosto, é um texto de mim mesmo que acabo de escrever.
Seria muito oportuno ouvir nossas lágrimas. Elas poderiam dizer-nos que já choramos demais por motivos fúteis, que choramos demais amores impossíveis, que choramos demais situações que nem sempre podemos resolvê-las, que choramos demais e ficamos, apenas, parados esperando que outros resolvam nossos problemas, que choramos muito por orgulho e medo de pedir ajuda, que choramos muito sem motivos aparentes, o que pode ser sinal de algo mais grave.
Lágrima, também, tem gosto. É um líquido composto de água, sais minerais, proteínas e gordura. Óbvio que não é uma combinação das mais gostosas, mas a lágrima tem o gosto das nossas vitórias e conquistas, das realizações dos nossos sonhos, das dores do nosso próprio viver, das perdas inevitáveis daqueles que amamos, das desilusões que vivemos, das decepções nas amizades, do golpe da infidelidade, da sensação de não sermos ouvidos por Deus.
Nossas lágrimas são companheiras inseparáveis de nossos momentos de solidão. Começamos sozinhos, mas ela sempre chega, silenciosa, sorrateira, vai nos envolvendo, nos comovendo e, quando nos damos conta, ela já rolou. Pensamentos tristes, sentimentos doídos, tristezas mal curadas, são, por demais, insuportáveis sem a companhia de lágrimas. Mas, Deus pode nos curar num momento como esse. O choro é uma das respostas essenciais do sistema límbico, é uma experiência profunda das emoções. Jesus chamou de bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Se a dor lhe toma, se o mundo lhe esqueceu, se os problemas são maiores que você, se o tempo parece que fechou para o seu lado, se aquela doença insiste em lhe maltratar, se o sofrimento de alguém que você ama lhe corta o coração, saiba que Jesus quer aliviar, pelas suas lágrimas, a sua dor.
O mestre também chorou! Poderia ser estranho ver Jesus chorando, mas é um momento extraordinário da humanidade de Deus. Sente como nós sentimos, chora como nós choramos. É gente como a gente. Então porque chorou? Chorou porque era hora de chorar. Há tempo pra tudo debaixo do céu, inclusive tempo de chorar. Cristão que é cristão chora. Se não chora por seus motivos, chora por motivos alheios, pois devemos chorar com quem está chorando. Somente as pessoas que já morreram nos seus sentimentos não choram. Seus corações estão tão ressecados que não conseguem escorrer uma lágrima. Pessoas assim estão mortas na sua tristeza, angústia, depressão ou até mesmo dentro de um falso sorriso. Por fim, cada lágrima é sabedoria para viver a vida. Se você seguir suas lágrimas, achara seu coração.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A FÉ E A FOLIA

Frei Mário Sérgio, ofmcap

Aqui em Aracaju, vive-se o clima de micareta. Uma multidão se dirige para a avenida onde os trios elétricos com seus artistas preferidos farão seu arrastão. No sábado, passei por lá para conferir a festa de rua. Um fato, porém, despertou-me a curiosidade e a atenção. Um grupo de religiosos ostentava cartazes com dizeres apocalípticos, tipo: “O Senhor Jesus está voltando!”, “Sua vida é de Deus!”, “Converta-se enquanto é tempo!”, “O salário do pecado é a morte!”, etc. A multidão passava pra lá, pra cá, indiferentes às mensagens de conversão. Fiquei pensando sobre o impacto que aquelas frases ocasionavam nas pessoas. Não me contive e comecei a interpelar alguns transeuntes. A maioria das respostas foi: eles são uns loucos, aqui não é lugar para isso! Na verdade, a sensação das pessoas era de insulto, provocação, irritação.
É bem verdade que o ambiente é dado a bebedeiras, uso excessivo de drogas, como pude presenciar. É um ambiente de prostituição, adultérios e toda sorte de contra-valores. Vi, também, muitas famílias se divertindo saudavelmente. Ainda temos muitas dificuldades em redimensionar o sagrado e o profano. Continuamos dicotomizando as dimensões de uma mesma e só vida. A fé e a folia não precisam se digladiar nas arenas contemporâneas, muito pelo contrário, a saúde do religioso está em sua capacidade de não exigir que o outro faça o mesmo caminho, trilhe o mesmo credo e compreenda a Deus da mesma forma como esse religioso o compreende. A folia sempre fez parte da fé! Por folia, compreendo a festa, a alegria, a vibração, o entusiasmo. O próprio carnaval (leia-se a festa da carne) tem uma de suas origens do seio do cristianismo medieval. Era a festa, digo, a folia, que preparava o povo para a penitência quaresmal.
Entendo que uma festa carnavalesca pode ser fonte de muitos pecados. Como pode ser fonte de muita alegria. Sei que muitas famílias são destruídas, muitos jovens se drogam, muita violência é praticada, muito dinheiro público é jogado fora... Como, também, reflito com o livro do Eclesiastes que há um tempo para cada coisa debaixo do céu. Se a evangelização não for criativa, educada, civilizada, respeitadora, criticam a Igreja Católica, mas repetem-se as cruzadas e as inquisições de modo silencioso, mas tão agressivo quanto. Muda-se a linguagem. E os métodos? O mundo dispensa religiosos, seja qual for o credo, que só sabem apontar dedos indicando o caminho do inferno. Se a religião não dialogar com a cultura, fazendo-se ponte entre Deus e a humanidade, digo sem medo, o mundo não precisa de religião. Se a religião não humanizar o religioso, ela é tão mortal quanto uma bomba atômica. Temo, por vezes, que aquele tipo de evangelização acabe mostrando uma face de um Deus sem senso de humor, o que é terrível para fé e para folia.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Kiki Joachin: braços abertos para a esperança

Kiki Joachin: braços abertos para a esperança

O terremoto do Haiti, nesses últimos dias, ocupou o noticiário internacional. A imprensa sensacionalista não deixa de tirar proveito da miséria alheia, em nome de uma pseudo-informação. O mundo inteiro se mobiliza para ajudar as vítimas, os coitadinhos. A solidariedade aflora em todos os rincões da humanidade. Como sempre, a tragédia unindo os povos. Mas, a política internacional, que sempre encontra um modo de ganhar com toda e qualquer situação, começa a apontar nações que querem mandar no cenário haitiano e sobressair como o anjo de resgate daquele povo sofredor. Controle do tráfego aéreo, envio de milhões de dólares e, quem sabe, uma neo-colonização. O Brasil também quer seu status da nação-mãe. Nosso efetivo militar está pronto para dobrar o número de heróis, se preciso for.
A última coisa que o povo haitiano queria, para o mundo solidarizar-se com ele, era de uma destruição de tamanha magnitude como a que estamos presenciando. Famílias inteiras acabaram; asilos foram destruídos, creches e escolas se tornaram uma verdadeira sepultura de pessoas inocentes, sonhadoras e desejosas de dignidade respeitada. Uma autoridade do país destruído ainda teve a coragem de dizer: “a tragédia foi boa, assim o mundo olha para nós!”. Até quando o mundo vai manter uma política econômica que mata milhares de irmãos de fome todos os dias pelo mundo afora? Até quando a humanidade ficará esperando catástrofes para abrir o bolso e ajudar os coitadinhos, onde quer que haja necessidade? Parece que o velho Hobbes tinha razão: o homem é lobo do outro homem.
Mas, uma cena de resgate marcou-me profundamente. Milagre da vida! Um fio de esperança dentro do caos. Um garoto passou oito dias debaixo dos escombros, sem comer, sem beber, sem ver a luz do sol, distante dos pais, da família. Mas, certamente, não estava esperando a morte chegar. Kiki Joachin, de oito anos, quando foi resgatado, no último dia 20, saiu de sua possível sepultura de braços abertos e gritando em favor da vida. Todos se emocionaram e gritaram enlouquecidamente. Nem tudo está perdido. Onde há vida, há esperança! Esse garoto nos lembra uma coisa: há um Haiti dentro de nós, perto de nós. Desliguemos nossas TVs, nossos computadores e olhemos ao nosso redor... Há muitos “Kikis” de braços abertos esperando nossa solidariedade, não nossa esmola, mas nossa capacidade de resgatar-lhes suas dignidades vilipendiadas.

http://www.youtube.com/watch?v=9sZDahV0A1o&feature=player_embedded

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Catástrofes e imagem de Deus

O ano de 2010 começa marcado por várias manifestações da natureza. Trágicas? Catastróficas? Apocalípticas? O noticiário se encarrega de adjetivá-las. Eu prefiro ficar do lado do espectador, observando. Sem dúvida alguma, assombrado, mas sem tirar os olhos dos fenômenos. Vidas e mais vidas ceifadas. Povos desesperados, famintos, sedentos, desesperançosos. Os cientistas, estudiosos e intelectuais das mais diversas áreas teorizam sobre os ocorridos. O aquecimento global é apontado como o grande vilão da história, mas já se fala de esfriamento global. Teorias se multiplicam aos milhares. Quando as encostas deslizam, começam a procurar culpados. Governantes descomprometidos com a população? Seria o povo imprudente, que constrói suas casas em lugares de riscos? Enfim, mais teorias.
No meio das teorias, ainda surgem religiosos, das mais diversas confissões e credos, que sempre encontram uma maneira de tirar proveito da situação. Profecias são lembradas, outras inventadas, outras ainda nascem no calor dos acontecimentos. Alguns se assustam, outros se revoltam, outros dão risadas, outros se ofendem, outros ainda confirmam suas teses de que religião é coisa de gente maluca e alienada. E eu continuo no lugar do espectador, observando.
Parece-me que uma pergunta não quer calar: e Deus, onde fica em tudo isso? Omisso, indiferente, sensível ou misericordioso? O que me faz pensar, quando se lança essa pergunta é: o que essa pessoa pensa sobre Deus? Sim, porque se pode criar uma imagem falsa, projetada, distante do que Deus é. Como cristão, acredito no Deus revelado. O que Deus é e não pode não Ser, já foi revelado. Quando o Senhor se comunicou com Moisés pela primeira vez, Ele disse: “Eu vi muito bem a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o seu clamor contra seus opressores, e conheço os seus sofrimentos. Por isso, desci para libertá-lo do poder dos egípcios e para fazê-los subir dessa terra para uma terra fértil e espaçosa, terra onde corre leite e mel”. (Ex 3, 7-8). Não consigo pensar numa imagem de Deus diferente dessa de Moisés e que atinge sua plenitude em Jesus de Nazaré: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
Nesse Deus eu creio e por Ele dei a minha vida. O que nos resta é cuidar da vida, da natureza e da nossa fé. Assim, não seriam necessárias catástrofes para que a humanidade exercite a solidariedade e a partilha, pois esse seria o nosso modo de ser e não a nossa exceção. Pensemos nisso!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

TRANSFIGURADOS COM CRISTO

Frei Mário Sérgio, ofmcap

“Naquele tempo, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas. Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus. Pedro tomou a palavra: Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias. Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados. Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o. E olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles. Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do homem houvesse ressurgido dos mortos. E guardaram esta recomendação consigo, perguntando entre si o que significaria: Ser ressuscitado dentre os mortos”. (Marcos 9, 2-10)

Hoje, dia 06 de agosto, a Igreja celebra a festa da Transfiguração do Senhor. Também somos convidados a subir a montanha. Lá em cima o ar é mais puro, o horizonte mais amplo e, numa visão bíblica, Deus está mais próximo. O cume de uma montanha sempre foi cenário de teofanias bíblicas (Theophania: Téo= Deus, Fania= manifestação, aparição). Não é que Deus precise descer para falar com os homens, mas os homens precisam subir das realidades e caminhar até lá onde o céu e o sol ficam mais perto.

O Homem Jesus de Nazaré desvela, na transfiguração (mudança de imagem), a face divina de Deus, presente em união plena de naturezas (humana/divina) Nele. É o antegozo do céu.. Foi a plenitude de sua aparência divina, que se desfigurará na cruz, em outra montanha, no Calvário, ao assumir as dores e os pecados da humanidade. Jesus de Nazaré é o Transfigurado/Desfigurado. O Crucificado/Ressuscitado. Pregar outro Cristo é esvaziar o Evangelho. Acreditar num outro Cristo é seguir uma ilusão. Quando Jesus levou Pedro, Tiago e João para Vê-lo de forma gloriosa, era para que eles não tivessem medo da face ensangüentada, limitada, humilhada, de morte, no dia de sua paixão, também, gloriosa na madeiro.

Não podemos optar por uma figura de Cristo: transfigurada ou desfigurada. Não podemos escolher o Cristo do Tabor (transfigurado) ou do Gólgota (desfigurado/crucificado). Da luz ou da cruz. Precisamos assumir a totalidade do Cristo, rosto divino do homem, rosto humano de Deus. Só assim, seremos transfigurados e transfiguraremos o mundo ao nosso redor.

Somos feitos para a luz, fomos feitos para resplandecer no mundo nosso rosto glorioso, transfigurados pela certeza de que Deus nos ama e nos quer, no protege e nos guia... Mas, por vezes, somos tomados pelas dores e feridas do nosso próprio viver, e nos desfiguramos, perdemos a beleza de sermos verdadeiras imagens de Deus. Meu ódio me desfigura, só o amor transfigura! Minha baixa auto-estima me desfigura, só o meu amor próprio me transfigura! A mágoa que guardo me desfigura, só o perdão que dou e me dou me transfigura! Minha prepotência e arrogância me desfiguram, só minha humildade e leveza me transfiguram.

O desejo de Pedro é, por vezes, o nosso também: “Mestre, é bom para nós estarmos aqui!” Quem um dia experimentou o céu, nunca mais terá vontade de voltar para a vida chata, problemática, confusa, medíocre, rotineira, desgastante de sempre... Jesus, Mestre em não nos deixar cair em tentação, lembra para Pedro e para nós também: a vida não é tecida, apenas, de retalhos de tristezas, sofrimentos e dores, tem algo mais para apreciar. Assim, quem foge dela (é bom estarmos aqui) pode correr o risco de não experimentar o lado transfigurado que Deus nos proporciona... Faça da sua desfiguração uma bela, resplandecente e gloriosa transfiguração. O convite de Jesus para descer da montanha é, exatamente, o desafio que Ele nos lança: mergulhar em nossos limites, fragilidades, pobrezas, crises e vislumbrar, e disso somos capazes, a fagulha de eternidade que ainda teima em brilhar e arder dentro do nosso ser.