SEMANA NACIONAL DA FAMÍLIA - 10 a 16 de agosto 2014
Ser família
Frei Mário Sérgio, ofmcap
Os caminhos - que as instituições que balizam a sociedade estão tomando - são frutos das modificações em todos os âmbitos da vida social, religiosa, cultural, existencial... Numa necessidade de acompanhar os tempos, muitos se perdem nas tentativas e se descaracterizam. Um mundo de valores diluídos (Bauman), eis a problemática!
A família é uma dessas instituições que mais sentem as mudanças do tempo. Por quantas modificações ela tem passado? Por quantas conceituações, pra tentar defini-la, tem passado? Por quantos rumos já o quiseram levá-la? Família, torna-te aquilo que és!
A Igreja é a maior guardiã da família. Embora, por muitos, ela não seja considerada assim. A Igreja olha para a família como um verdadeiro “Santuário da vida”. Nela, a vida é querida, gerada, cuidada, promovida e sacralizada! É uma utopia? Bom, o que sei é que é preciso recuperar, urgentemente, o sentido de ser família. Não basta ter uma, o que já é bem difícil, mas queremos ser uma família.
Ser família me compromete por inteiro! Na dimensão do ser, cada um se torna protagonista da família que quer para si e para os demais. Dessa forma, a família é o que eu sou! Sem uma família respeitada e estável não pode haver organismo social sadio, equilibrado e sereno. Sei que muitas feridas que adquirimos no percurso de nossa existência, muitas delas são abertas no seio familiar... Como é difícil de cicatriza-las! Mesmo essas feridas, não me impedem de ser família.
Ser família – ter família. Quase um paradoxo! Ter família independe do nosso querer. Nasceu, tem-se uma família (presente ou ausente, mas se tem!); ser família, aí é uma construção pessoal. O nosso desafio é sair do “ter” para o “ser” família. Acredite, é possível. Muitos se contentam, apenas, em saber que tem uma família, e basta! Por isso, precisamos do milagre do despertar para a consciência de ser família, como Deus planejou e quis para todos nós! Família, torna-te aquilo que és!!!
Um olhar despretencioso sobre o mundo, a sociedade, a vida, as pessoas... Um olhar franciscano que contempla e acende a luz da esperança para ancorar nosso viver em Deus.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
quinta-feira, 27 de junho de 2013
PÉROLAS DO DIA (27/06)
TEXTO:
Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes,
os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha. Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!' (Mateus 7, 21-29)
REFLEXÃO:
A palavra forte, do evangelho de hoje, é construir. Todos sabemos dos desafios de uma construção: planejamento, orçamento, verbas etc. Mas, o que me importa pensar, sobre o verbo construir, é a possibilidade do sonho. Construir é sonhar! Agora sim, o evangelho começa a dialogar, de perto, com nossa realidade. O que sonhamos para nós? O que sonhamos para nossas famílias? O que sonhamos para nossa Igreja? O que sonhamos para nossa sociedade? Bom, outra questão: como estamos construindo esses sonhos? Onde estamos construindo esses sonhos?
Jesus nos iluminou, em sua Palavra, sobre duas realidades onde podemos construir os nossos sonhos: na rocha ou na areia. Por isso, planejar é preciso! Perceba que as dificuldades que recairão sobre as casas, são as mesmas: chuva, enchentes e ventos fortes. E Jesus alerta: sua casa só ficará de pé, se você tiver o cuidado de construí-la sobre a rocha. Essa rocha é a metáfora da vida em Deus. Essa rocha é a Palavra do Senhor. Essa rocha é uma sólida vida de oração e de sacramentos. Essa rocha é passar a vida fazendo o bem. Há quem não queria nada disso para sua vida, então, constrói na areia... Pode ate ser uma casa boa, mas sua ruína já está iminente.
"Um homem sem juízo", assim qualificou Jesus aos que não entendem que construir na areia é construir sua própria ruína. As dificuldades da vida são as mesmas para todos nós, mas o modo como ela me pega, pode fazer toda a diferença. Se estou em Deus (rocha) a minha casa não cai, nunca! Se estou sem Deus (areia) posso até resistir um pouco, mas minha ruína será completa. Não é palavra para assustar ninguém, é Palavra do Senhor para nosso crescimento espiritual.
Hoje, seus sonhos, sendo bem sincero(ª), estão sendo construídos na rocha ou na areia? Bom, dependendo de sua resposta, é sempre tempo de rever seus projetos de vida e seus planejamentos. Lembre-se: a rocha é nossa única certeza de uma casa que não vai sucumbir às dificuldades da vida! Paz e bem!
sábado, 22 de junho de 2013
PÉROLA DO DIA (22/06)
Frei Mário Sérgio, ofmcap
Portanto, não vos preocupeis, dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir? Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso. Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo. Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia, bastam seus próprios problemas.' (Mateus 6, 24-34)
REFLEXÃO:
Continuando a temática da semana, o desapego às coisas que passam e a liberdade para seguir ao Cristo, o evangelho de hoje nos fala da Providência Divina. O seguidor de Jesus não pode confiar, apenas, em suas próprias forças, em sua inteligência ou mesmo em suas capacidades pessoais. A força do discípulo vem do Espírito Santo. Olhando na perspectiva bíblica, nossa força é fraqueza! O Espírito age em nossas capacidades plenipotencializando-as. Se nossa força é nossa tão somente, a missão de evangelizar se torna uma vaidade humana, no entanto, lembra-nos São Paulo aos Coríntios " 'Basta-te a minha graça. Pois é na fraqueza que a força se manifesta'. (2Cor 12,9).
Mas, a Providência Divina não está associada, exclusivamente, em acreditar que Deus provem materialmente aos seus filhos. É uma visão reducionista! A providência é o cuidado do Criador pela criatura, que perpassa toda sua existência! Ou seja, Deus cuida de cada um de nós com amor sem igual. Por isso, ninguém pode dizer que não está pronto para a missão por causa de coisas materiais, isto é, não tenho isso, não tenho aquilo, como vou sobreviver, quem vai nos vestir, quem vai nos alimentar... As questões materiais não podem ser empecilhos para o seguimento de Jesus. Ele providencia o necessário para os seus filhos, pois Ele sabe tudo o que precisamos!
Buscar, primeiro, o Reino de Deus e sua justiça, tudo o mais virá por acréscimo! Esse é o convite de Jesus para o dia de hoje! Outro forte apelo do Senhor, hoje, é viver o dia presente, sem ansiedades e angústias... "Não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações"!. Quando o nosso coração compreenderá essa passagem bíblica? Temos um coração desconfiado, amedrontado, ansioso, depressivo, inquieto, que quer estar no controle de tudo e de todos... Continua, Jesus: para cada dia, bastam seus próprios problemas!
Vamos orar: Senhor, eu coloco o meu coração em tuas mãos para que ele seja tão humilde como o Vosso, tão manso e sereno. Dá-me um coração desapegado e confiante. Um coração livre e libertador. Que eu não confie em minhas próprias forças, mas me glorie de minhas fraquezas, que é onde Tu ages em mim. Ensina-me a buscar o Teu Reino em primeiro lugar e desconsiderar tantas coisas materiais que aprisionam meu ser. Por fim, Senhor, liberta-me da ansiedade e da angústia que me impedem de viver cada dia com seus dramas e suas preocupações. Quero viver confiante em sua Providência. Amém! Paz e bem!
sexta-feira, 7 de junho de 2013
PÉROLA DO DIA (07/06)
SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
TEXTO:
Naquele tempo: Jesus contou aos escribas e fariseus esta parábola: 'Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: 'Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!' Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de
conversão. (Lucas 15, 3-7)
REFLEXÃO:
Hoje, celebramos a solenidade do Coração de Jesus. O que esse coração tem de tão especial para ter uma solenidade exclusiva para ele? A resposta é tão simples: o Coração de Jesus é uma fornalha ardente de amor! Basta isso! Desse Sagrado coração, nasceram o batismo e a eucaristia, na cruz; desse coração, nasceu a Igreja que Ele tanto ama! desse coração, jorra a fonte inesgotável de misericórdia! Por isso, nosso coração precisa bater ao compasso do Coração de Jesus! Façamos um eletrocardiograma espiritual: o que detectamos em nosso coração? Mágoa, ressentimento, vingança, vaidades, orgulho, maledicências, prepotências? Ou, descobrimos um coração amoroso, perdoador, simples, acolhedor? Nunca é demais, pedir, que o Coração de Jesus faça o nosso coração semelhante ao Dele!
No evangelho de hoje, a palavra alegria aparece 2 vezes. Essa alegria está associada ao resgate de uma ovelha perdida. Eis a síntese da lógica do Coração de Jesus: procurar, incansavelmente, os homens e mulheres perdidos, feridos, machucados, desiludidos da vida e de si mesmos, desmotivados... E a alegria desse Bom Pastor é poder trazer essas ovelhas, no seu próprio ombro, para casa novamente.
Que tipo de ovelha em tenho sido ao longo da minha vida? Hoje, estou afastado do meu Bom Pastor (Jesus), por quais motivos? Quando me afasto, Dele, sinto saudades? Queira estar nos ombros de Jesus, como a ovelha perdida, para recuperar a alegria de viver e para alegrar o Coração de Jesus.
JESUS, EU CONFIO EM VÓS! Paz e bem!
quarta-feira, 5 de junho de 2013
PÉROLA DO DIA (05/06):
Frei Mário Sérgio, ofmcap
TEXTO:
Para mim é melhor morrer do que viver, pois tenho ouvido injúrias caluniosas e sinto em mim profunda tristeza. Senhor, ordena que eu seja libertado desta angústia. Deixa-me ir para a morada eterna e não afastes, Senhor, de mim a tua face. Para mim é preferível morrer a ver tão grande angústia em minha vida, ouvindo ainda tais injúrias'. (Tobias 3, 1-11. 16-17)
REFLEXÃO:
Vamos aproveitar a liturgia da palavra para ler o livro de Tobias. O relato, de cunho novelístico é repleto de ensinamentos sapienciais, onde traz belos ensinamentos, tais como: respeito e honra aos pais, cuidado para com os mortos, justiça, honestidade, bondade e compaixão para com o próximo (4,3-19; 12,6-20). O livro procura mostrar que o israelita fiel a seu Deus e à sua religião nunca está só, mas é objeto da especial proteção divina. Manifesta também a esperança de que quando Deus reunir o seu povo de todas as nações (13,5), então também os pagãos se converterão ao Senhor para formarem um único povo de Deus (14,6s).
No texto desta quarta-feira, A narrativa continua e relata que as preces de Tobias e Sara foram ouvidas. Rafael, um anjo de Deus, é enviado para curar a cegueira de Tobias e libertar Sara de um demônio chamado Asmodeu, verdadeiro responsável pela morte de seus pretendentes. Mas, o que nos chama a atenção, na oração de Tobias, é que ele pede para morrer... O sofrimento estava insuportável! O coração de Tobias estava tomado de angústia, decepção, vergonha, então, ele pedia para Deus lhe tirar a vida e acabar com aquele sofrimento todo.
Só quem já passou por momento semelhantes poderia descrever o que significa um sofrimento muito grande na vida. Quando bate aquela dor, aquela angústia que chega a ser sufocante... E o pior, quando a pessoa não percebe nenhuma luz no fim do túnel, chegou ao fundo do poço... Nesse momento, muito agem contra própria vida, para fugir da situação, causando dor aos que ficam. Sara queria se matar enforcada, mas entendeu que seria muito sofrimento para a sua família e desiste de tal solução para ela.
O que Tobias e Sara nos ensinam, hoje, é o poder da oração! Tirara própria vida (se matar) pensando que será a solução dos problemas, na verdade, é desespero... Em nosso momento de dor, de sofrimento, de angústia, de decepção, de tristeza profunda, Tobias e Sara nos convidam a confiar na poderosa intervenção de Deus em nossas vidas. Deus agiu poderosamente quando ouviu a oração de Tobias e Sara e enviou o arcanjo São Rafael que os curou das enfermidades.
Quero rezar contigo, meu irmão, minha irmã, que passa por um momento semelhante ao de Tobias e Sara. Quero pedir que Deus envie seu Arcanjo Poderosos, portador da cura, São Rafael, para curar suas enfermidades e curar seu coração, restaurar seus sentimentos e restabelecer-lhe a saúde integral de corpo e de alma. "Manda teus anjos, sobre nós, e abençoa todos os que esperam em vós! Manda teus anjos, para nos ensinar, a te louvar e glorificar!". Paz e bem!
terça-feira, 28 de maio de 2013
PÉROLA DO DIA (28/05/13):
Frei Mário Sérgio, ofmcap
TEXTO:
Naquele tempo: Começou Pedro a dizer a Jesus: 'Eis que nós deixamos tudo e te seguimos.' Respondeu Jesus: 'Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida - casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições - e, no mundo futuro, a vida eterna. Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros.' (Marcos 10, 28-31).
REFLEXÃO:
A pergunta de Pedro demonstra a falta de compreensão do projeto de Jesus: o que vamos ganhar em troca? Fazer do Reino de Deus uma moeda de troca é mercantilizar o dom precioso da vida doada por amor. Por outro lado, Pedro dá voz à insegurança humana: deixamos tudo, o que nos espera para a frente? A família, naquele contexto, era o porto seguro de qualquer judeu. Era a única segurança social. Sair daquele âmbito era penetrar em um risco total.
Os discípulos fizeram isso: deixaram tudo - casa, empregos, família - para seguir um ideal. A promessa de Jesus é de que eles não iriam perder nada, pelo contrário, ganhariam cem vezes mais, agora nesta vida! Esse detalhe é importante: agora nesta vida! Essas coisas materiais, afetivas, sentimentais etc, só têm sentido para esta vida. Afinal, no "céu seremos como anjos (Mateus 22, 30).
Na verdade, Deus não nos tira nada, apenas nos dá! Acredito que o texto de hoje é uma pedagogia de Jesus para que cada discípulo tenha clareza do que é central em sua vida: não é a casa, família, campos... A centralidade de nossa vida é o próprio Jesus! Depois de tê-Lo como centro, podemos ganhar tudo de volta: casa, família, campos... Porque saberemos o lugar de cada uma dessas coisas em nosso coração! Quantas cristãos se perdem nessa inversão de valores? Colocam as coisas materiais acima de Deus! De que nos adianta possuir casa, família e campos, sem Deus? Só servem para nossa própria vaidade, para alimentar nosso egoísmo, para nos afastar dos outros, para conquistar "amigos" falsos, para viver de mentira... Quem coloca o coração nas coisas que passam, na matéria que a traça come e a ferrugem corrói, nunca será feliz!
Por fim, Jesus disse que os discípulos ganhariam tudo de volta, mas com perseguições! Ninguém renuncia a algo pelo simples gosto de renunciar! A renúncia é por um bem maior: a vida eterna! Quem tudo abandonou encontra a alegria de já receber nesta terra o toque da providência de Deus, com os desafios, com as incompreensões, com os sacrifício - isto é, com perseguições! Então, qual é o lugar que Jesus ocupa em sua vida? Paz e bem!
Foto: internet
sexta-feira, 24 de maio de 2013
SANTIDADE DA AMIZADE
Frei Mário Sérgio, ofmcap
TEXTO:
Se queres adquirir um amigo, adquire-o na provação; e não te apresses em confiar nele. Porque há amigo de ocasião, que não persevera no dia da aflição. Há amigo que passa para a inimizade, e que revela as desavenças para te envergonhar. Há amigo que é companheiro de mesa e que não persevera no dia da necessidade. Quando fores bem sucedido, ele será como teu igual e, sem cerimônia, dará ordens a teus criados. Mas, se fores humilhado, ele estará contra ti e se esconderá da tua presença. Afasta-te dos teus inimigos e toma cuidado com os amigos. Um amigo fiel é poderosa proteção: quem o encontrou, encontrou um tesouro. Ao amigo fiel não há nada que se compare, é um bem inestimável. Um amigo fiel é um bálsamo de vida; os que temem o Senhor vão encontrá-lo. Quem teme o Senhor, conduz bem a sua amizade: como ele é, tal será o seu amigo. (Eclesiástico 6, 5-17)
REFLEXÃO:
Hoje, a Palavra do Senhor é uma exortação sobre a beleza e os perigos da amizade. Quem são os "amigos" perigosos: amigo de ocasião, companheiro de mesa e os que revelam nossas confidências. Contra esse tipo de comportamento, todos precisam ficar atentos! A Palavra nos indica onde encontrar amigos verdadeiros: na provação. Ao mesmo tempo, a palavra nos diz o que significa um amigo em nossa vida: poderosa proteção, um tesouro, bálsamo na vida.
Sei que existem muitas pessoas que já sofreram por causa de uma amizade desastrosa! E que sentem um ódio venenoso em seus corações! Sei, também, de pessoas que não confiam mais em ninguém, porque sofreram grandes decepções! Mas, a Palavra de Deus, hoje, nos convida a descobrir a santidade da amizade!
Quem tem amigos se revela uma pessoa saudável. Isso prova sua capacidade de amar seu semelhante sem nada querer em troca senão a presença do outro em sua vida. O amor de amizade é o amor da presença! Uma boa amizade equilibra qualquer pessoa. Um bom amigo, sempre quer o crescimento do outro e nada faz para prejudicá-lo. Mas, como estamos num mundo cheio de pessoas feridas e ressentidas, inclusive nós mesmos, é que está difícil ter amigos verdadeiros.
Todo mundo fala: está difícil achar um amigo verdadeiro. Então, eu pergunto: eu sou um amigo verdadeiro? Sou alguém em que o outro pode confiar? Sei guardar segredos? Sou ético com as minhas amizades? Lembre-se, que não tem amigos, não é uma pessoa saudável. Adoeceu e nem percebeu.
Lanço um desafio hoje para você: que tal começar um exercício de perdão para aquele amigo que lhe machucou? Por fim, concluo com as santas palavras: " Quem teme o Senhor, conduz bem a sua amizade!". Paz e bem!
sábado, 2 de fevereiro de 2013
FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR
TEXTO: Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. (...) Foram também oferecer o sacrifício - um par de rolas ou dois pombinhos - como está ordenado na Lei do Senhor. (...) Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: "Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel." (...) Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma." (Lucas 2, 22-40)
O primeiro elemento que destaco na festa de hoje, da Apresentação do Senhor, é a importância de uma família religiosa e temente a Deus. Maria e José foram, fielmente, cumprir o preceito de sua religião: consagrar o filho primogênito a Deus no Templo. O maior dos presentes, que uma família pode dar aos seus filhos, é a fé, a benção e a proteção de Deus, o mais, é acréscimo! Pelo texto, identificamos a Sagrada Família como pessoas simples, sem muitas posses, pobres, porque ofertaram o sacrifício dos pobres: um par de rolinhas ou dois pombinhos. Eram pobres, mas tementes a Deus, sua maior riqueza!
O velho Simeão estava acostumado a apresentar crianças ao Senhor, mas ficava muito atento para encontrar o Messias, queria muito ver o libertador de Israel, o Emanuel, Deus Conosco. Já na sua velhice, pegou o Menino Jesus no colo e o reconheceu: meus olhos viram a vossa salvação! Quem quer ver Jesus, precisa ficar atento aos seus sinais e à sua presença. Ele está no meio de nós! É preciso querer ver Jesus. Esse deve ser o desejo profundo de nossa alma, nenhum outro pode ter a primazia em nosso coração e em nossos olhos: só Jesus!
Assim, o profeta Simeão olha no mais profundo dos olhos de Maria e diz: uma espada te traspassará a alma! Imagino que Nossa Senhora ficou pensando o resto de sua vida nessas palavras de sabedoria. E a vida de Jesus, as perseguições sofridas, as tentativas de assassinatos, as calúnias e, enfim, a morte de cruz, eram como espadas de dor no peito de sua mãe, Maria Santíssima. Mas, Maria nos ajuda a sofrer sem perder a fé; sofrer sem deixar de caminhar; sofrer acreditando; sofrer no calvário e ser feliz ao ver o túmulo vazio! Jesus é a luz que veio ilumina os povos. Que essa luz ilumine nossas famílias, nossa juventude, nossa sociedade, nossa Igreja, nossa mente e coração! Paz e bem!
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Ano novo, ano de bênçãos
Frei Mário Sérgio,
ofmcap
Acredito muito na sabedoria da
Igreja. Claro, não poderia ser diferente, afinal, sou padre. Mas, o modo como a
igreja compreende a relação do homem com o tempo é muito interessante. Ela
anuncia o tempo Cronos (da vida prática, do cotidiano) e o tempo Kairós (das
coisas de Deus). Um não anula o outro, mas dialogam entre si. O segredo é descobrir,
no tempo dos homens (cronos) o tempo de Deus (kairós).
Mas, falava no início da
sabedoria da igreja, pois é, na primeira celebração do ano, a liturgia nos
convida a acolher e celebrar benção de Deus. Enquanto muitos pensam nas coisas
materiais (cronos) a igreja lança o olhar para as coisas que não passam
(kairós). A benção de Aarão é o sinal do amor de Deus pelos homens e mulheres: “O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor
faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti
o seu rosto e te dê a paz”!(Nm 6, 22-27).
Em síntese, a benção de Aarão
traz alguns elementos que devem nos acompanhar ao longo do ano que está
começando: benção, proteção, brilho, luz e a paz. É esse olhar para o novo ano
que a Igreja nos convida a lançar. Que o Senhor nos conceda um ano de muitas bênçãos!
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
PENSANDO O NATAL
São Francisco e Santa Clara adorando o Menino Jesus
É
PRECISO CELEBRAR
Frei
Mário Sérgio, ofmcap
A vida precisa ser celebrada!
Existem momentos que marcam, profundamente, a vida de toda pessoa. Cada
acontecimento tem uma força misteriosa para cada um. Ninguém vive a mesma
experiência, com a mesma verdade, com a mesma intensidade. Cada um faz a sua
experiência pessoal. É bem verdade que existem elementos que são comuns, mas o
modo de receber as vibrações é bem particular.
As datas têm uma força mística,
não tenho dúvida disso. Mesmo sabendo das manipulações que as datas sofrem
(políticas, econômicos, religiosas, sociais, culturais etc) ou sofreram, ao
longo de suas existências, não se pode negar a importância de celebrá-las.
As frases são as mesmas: natal é
todo dia; dias das mães é todo dia; dia das crianças é todo dia... E por aí se
vai... Penso que os frutos dessas datas devem ser vividos todos os dias, mas
eles acontecem numa data pontual, que é uma grande oportunidade de celebração,
de reflexão, de fazer memória, de crescimento pessoal e comunitário.
Estamos em tempos de
esvaziamentos. Queremos tirar o sentido de todas as coisas, com a ideia de que
aquilo não tem mais razão de existir. A Igreja nunca abriu mão dos seus ritos,
que se repetem a cada ano, com a mesma intensidade, com a mesma unção, com o
mesmo poder transformador de vidas. A liturgia da Igreja é sempre nova. Os
ritos são sempre novos. Os textos bíblicos são sempre atualizados.
Por isso, é importantíssimo
celebrar o Natal. Re-viver o maior acontecimento da história da humanidade,
para os cristãos. Não podemos achar que todos os natais já foram celebrados,
qual nada, toda celebração tem o cheiro do passado e o gosto do presente. Que a
luz do Menino de Belém, afugente as trevas do nosso coração, da nossa mente, e
do nosso desejo de trilhar os caminhos do Senhor, nossa verdadeira Luz.
sábado, 8 de setembro de 2012
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
A FAMÍLIA E A SUPERAÇÃO DAS DIFICULDADES
O sofrimento, o limite e a morte fazem parte da nossa condição de criaturas, assinalada pela experiência do pecado, ruína de toda a beleza, corrupção de toda a bondade. Mas isto não significa que somos vencidos; pelo contrário, a consciência e a aceitação desta condição estimula-nos a confiar na presença bondosa de Deus, que sabe renovar todas as coisas.
No texto Bíblico (Mt 2, 13-21): O anjo convida São José a despertar, levantar , “tomar” o menino, fugir... e confiar, permanecendo numa terra estrangeira até que o Senhor avise. José assume as suas responsabilidades, é protagonista da sua própria condição, mas não se sente sozinho, porque conta com o olhar d’Aquele que sustenta e é providente à vida de todo ser humano. José parte “durante a noite”.
A confiança de São José em Deus não tira as dificuldades que teve de passar, mas concede as condições para que ele possa viver em todas as situações, sem jamais desesperar. Notemos que São José está acordado (tem consciência de sua capacidade humana), é capaz de enfrentar os acontecimentos e proteger a vida da mãe e do menino; mas ele age também na plena consciência de que é assistido pela salvaguarda eficaz de Deus.
Eis o significado da viagem para o Egito: a busca de um lugar seguro, para além da noite, que proteja contra as ameaças, preserve da violência, restitua a esperança e permita conservar uma boa ideia de Deus e da vida.
O texto que narra a viagem da família de Jesus durante a noite rumo a uma terra estrangeira por causa da criança que estava em perigo nos exorta a refletir naquilo que acontece também nos dias de hoje em muitas famílias, que são obrigadas a deixar as suas habitações seja pelas exigências do trabalho, seja pela miséria, seja pela busca de melhores condições de vida e saúde, para poderem oferecer aos seus filhos um contexto de vida melhor. Os pais sentem-se mal quando os filhos choram; sofrem e fazem de tudo para aliviar a sua dor. Fazem aquilo que podem, para que a vida dos seus filhos seja boa, seja um dom, seja abençoada em nome de Deus.
Trata-se da viagem da construção da família, da geração e da educação dos filhos, caminho árduo, difícil e exigente, no qual as numerosas dificuldades, das quais nenhuma família é preservada, são situações que às vezes podem levar os membros da família a desanimar.
Assim com fez São José, é fundamental saber “ouvir o anjo”, discernir espiritualmente os acontecimentos e os momentos da nossa vida familiar, para que as relações sejam sempre purificadas, favorecidas e curadas. A família vive da graça de Deus, mas também de bons relacionamentos, de olhares recíprocos positivos, de estima e de garantias mútuas, de defesa e de proteção.
A família é a primeira escola dos afetos, o berço da vida humana, onde o mal pode ser enfrentado e superado. A família é um recurso precioso de bem para a sociedade. Ela constitui a semente da qual nascerão outras famílias, chamadas a melhorar o mundo.
Quando São José toma o menino e a sua mãe, ele obedece e afasta-os do perigo. Herodes, que devia ser garantia da vida do seu povo, na realidade transformou-se no perseguidor do qual precisa-se escapar. Também hoje, a família enfrenta muitos perigos: sofrimentos, egoísmos, pobrezas e infidelidades, mas também ritmos de trabalho excessivos, consumismo, competição, indiferença, abandono, solidão... aquilo que seria dom de Deus, se transforma em maldição.
Contudo, sabemos em quem colocamos nossa confiança e acreditamos e lutamos por um mundo cristão. Deus nos capacita a transformar as maldições em bênçãos.
A esta obra parece ser chamado, em primeiro lugar, o pai: é ele que acorda e toma a iniciativa. A São José estão confiados o filho e a mãe; ele sabe que deverá levá-los para o Egito, para um lugar seguro. “Toma o menino e a sua mãe”, diz duas vezes o anjo, e o texto retoma mais duas vezes estas mesmas palavras.
Elas ressoam como um encorajamento aos pais, a superar as incertezas, a ir em frente, a cuidar do menino e da mãe. Hoje, as ciências humanas redescobrem a importância decisiva da figura paterna para o crescimento integral dos filhos.
O pai encontra a sua identidade e o seu papel, quando protege a mãe, ou seja, quando cuida da relação conjugal. O entendimento dos pais é decisivo para proteger e encorajar os filhos.
Semana Nacional da família 2012
Faça algo pela sua família nesta semana!
- Crie um Santuário doméstico: local apropriado e de destaque na casa, em cima de uma mesa com toalha branca, coloque a Bíblia, o terço, a(s) imagem(ns) de Santos ou da Virgem Maria, vaso com flores e vela(s). Colocar papel e caneta para escrever pedidos de oração da família ( deixar montado até domingo).
- Visite, telefone, escreva carta ou envie um e mail para duas pessoas da sua família que se encontram em situações difíceis.
Fonte: www.cnbb.org.br
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Creio na Igreja Católica
Creio na Igreja Una,
Santa, Católica e Apostólica
Frei Mário Sérgio, ofmcap
O Catecismo da Igreja, nº 811,
diz: “Esta é a única igreja de Cristo que no credo confessamos una, santa,
católica e apostólica”. Tudo o que a Igreja é, ela recebeu de Cristo pelo
Espírito Santo. Só a fé pode reconhecer que a Igreja tem essas propriedades da
sua fonte divina. O Concílio Vaticano I disse que a própria existência da
Igreja, na sua caminhada terrena, é o seu perpétuo motivo de credibilidade e
uma prova irrefutável da sua missão divina.
A IGREJA É UNA: a fonte da origem
da Igreja é a Trindade. É una pelo seu fundador: Jesus Cristo. É una pela sua
alma: o Espírito Santo. Portanto, é da própria essência da igreja ser una. A
Igreja é UNA, mas dentro dela existe uma diversidade de dons, carismas,
encargos, condições e modos de vida! A grande riqueza dessa diversidade não se
opõe à sua unidade. Mas, os pecados humanos podem fazer essa unidade ruir. Por
isso, o apóstolo exorta: “conserva a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”
(Ef 4,3). Quais são os vínculos da unidade? A mesma profissão de fé; a celebração
do culto divino e a sucessão dos apóstolos.
A IGREJA É SANTA: a igreja é, aos
olhos da fé, indefectivelmente santa. Santa porque tem sua origem na Trindade;
santa porque Jesus, o Santo, é seu fundador; santa porque o Espírito Santo a
conduz à perfeição. Todas as obras da igreja tendem como a seu fim, à
santificação dos homens em Cristo e à glorificação de Deus. É na Igreja que
está depositada a plenitude dos meios de santificação! A Igreja santa, mas seu
povo é pecador. Por isso, a igreja é dispensadora da graça, para santificar seu
povo! Os santos e santas sempre foram fonte e origem de renovação nos momentos
mais difíceis da história da Igreja.Por isso, a Igreja não cansa de olhar para
Maria, Nossa Senhora, porque ela já atingiu a plenitude da santidade e da
perfeição. Em Maria, a Igreja já é toda santa!
A IGREJA É CATÓLICA: a palavra
católico quer dizer universal. Ela é católica porque nela está Cristo. Nela
está a plenitude dos meios da salvação. Ela é católica desde o Pentecostes e o
será até o dia da Parusia! Ela é católica quando mantém os laços fortes com a
Igreja de Roma, com o Santo Padre, com seus bispos. Só pode ser considerado
católico quem abraça a Igreja na sua totalidade. A Igreja existe para
evangelizar. Sua essência é a missão. É na missão que a Igreja faz brilhar o
esplendor de sua catolicidade.
A IGREJA É APOSTÓLICA: a Igreja é apostólica
por ser fundada sobre os Apóstolos: primeiro, foi constituída pelo fundamento
dos apóstolos (Ef 2,20; At 21, 14); segundo, ela conserva e transmite, pela
força do Espírito Santo, os ensinamentos dos apóstolos; terceiro, ela continua
a ser ensinada, santificada e dirigida pelos apóstolos, que são os bispos,
auxiliados pelos padres, pela força da sucessão apostólica.Toda a Igreja é
apostólica na medida em que, através dos sucessores de São Pedro e dos
Apóstolos, permanece em comunhão de fé e de vida com a sua origem.
Muito se
publica sobre a queda da Igreja Católica no mundo, no Brasil, em nossas
cidades. Mas, os números oficiais dizem o contrário. Os dados estatísticos se
referem a 2010 e fornecem uma análise sintética das principais dinâmicas da
Igreja católica nas 2.966 circunscrições eclesiásticas do planeta. Os católicos
em 2010 somavam 1,196 bilhão, em comparação com cerca de 1,181 bilhão em 2009,
com um aumento absoluto de 15 milhões de fiéis. Ao longo dos últimos dois anos,
a presença dos católicos batizados em todo o mundo permanece estável em cerca
de 17,5% da população global.
A tendência de crescimento no
número de sacerdotes, que começou em 2000, continuou em 2010, ano em que foram
contados 412.236 padres; em 2009 eram 410.593.
sábado, 31 de março de 2012
DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR
O QUE
CELEBRAMOS?
·
O
duplo nome da festa indica dois mistérios diferentes, duas tonalidades
espirituais diferentes, duas histórias diferentes: Ramos e Paixão.
·
Na
procissão de ramos, celebramos a entrada messiânica de Jesus em Jerusalém para
realizar seu mistério pascal. O uso dos ramos faz alusão à festa das tendas.
·
A
missa com a leitura da Paixão do Senhor é centrada sobre a figura de cristo
como Servo Sofredor. As leituras falam da perseguição, do sofrimento e da entrega
de Jesus que se fez o Servo do Senhor; realçam sua fidelidade à sua missão para
salvar os pobres e humildes. Ele se associa a todos os sofredores e sofredoras
do mundo, a todos os pequenos e injustiçados. Ele nos convoca para segui-lo
neste caminho, hoje.
ESTRUTURA
DA CELEBRAÇÃO:
Há
três partes na celebração: memória da entrada do Senhor em Jerusalém (pode ser
por três modalidades: procissão com os ramos, entrada solene ou entrada
simples); liturgia da Palavra com a leitura da Paixão do Senhor e liturgia
eucarística.
PROCISSÃO
COM OS RAMOS:
·
O
mais importante não é a benção, mas a procissão com os ramos. Não se aconselha
fazer a procissão depois a benção dos ramos. A benção está em função da
procissão.
·
Aproveitar
que é uma festa de devoção “benzer os ramos” para uma boa catequese sobre o
sentido da vida em comunidade.
LITURGIA
DA PALAVRA:
·
Leitura
da Paixão do Senhor: sem velas, sem incenso, sem a saudação “ O Senhor
esteja...”, sem fazer o sinal-da-cruz sobre si mesmo nem sobre o livro; no
final, não se beija o livro nem se diz “Palavra da Salvação”.
·
Se
for proclamar o texto longo, o padre sempre faz a voz de Jesus. Convém
intercalar a proclamação com refrões meditativos (Prova de amor e outros). O
povo pode ficar sentado. Na narração da morte, todos ficam de joelhos por um
instante.
·
Na
homilia, pedir testemunhos da comunidade de sofrimentos e situação semelhantes
à narração do Evangelho. Depois, iluminar com a Palavra de fé e de esperança.
Fonte:
BUYST, Ione. Preparando a Páscoa. 2ªed. Paulinas, São Paulo 2005.
quinta-feira, 15 de março de 2012
RECUPERAR SÃO JOSÉ
Sempre tivemos uma imagem triste e descolorida de São José. Imaginamo-lo como um pobre homem (quando não um idoso), manso e sofredor, que mês após mês teve que ver crescer o ventre da sua amada, enquanto por dentro por dentro morria de dor em silêncio. Desorientado e quase ridículo, lutando entre a confiança e a dúvida, entre o amor e os ciúmes. Como era incapaz de compreender o mistério da encarnação, não lho diziam. Mas este não é o São José do Evangelho. José nunca teve dúvidas acerca da sua Maria. Soube tudo desde o princípio, porque tinha a mesma maturidade que a sua esposa. A sua única dúvida era sobre se Deus o queria ou não ao lado da sua mulher. E Deus fez-lhe saber que sim.
Hoje os cristãos entronizamos muito a Maria, mas não tanto a José. Na Liturgia temos muitíssimas festas da Virgem Maria, mas só duas de São José: 19 de Março e 1 de Maio. Os próprios estudos de Mariologia dão a impressão de que ela não teria sido casada, que se tivesse santificado fora do contexto matrimonial e familiar. Até as nossas devoções, imagens e pinturas se centram quase exclusivamente em Maria, e prescindem de José. Separámos o que Deus uniu!
Mas, Maria e José amaram a Deus em conjunto. Santificaram-se juntos. Um com o outro. Um graças ao outro. Estiveram juntos desde o princípio. Por isso, hoje, quando tantas famílias atravessam momentos de crise, quando muitos casamentos metem água por todos os lados, e a Igreja não dispõe de modelos conjugais, convém lembrar José, a quem Deus quis santificar em família unido para sempre a Maria.
Frei Lopes Morgado, ofmcap
domingo, 11 de março de 2012
III DOMINGO DA QUARESMA (Ano B
Frei Mário Sérgio, ofmcap
Quem criou o mundo, o ser humano, tudo que existe? Com essa pergunta, todas as pessoas, um dia, se deparam. Nessa busca inteligente de respostas, o ser humano pode ser ferir ou se libertar. Ferir quando essa busca não aponta para a Verdade última do ato criacional. Libertar quando a resposta nos leva à fonte originária do nosso ser e de tudo quanto existe. E, em se descobrindo quem nos criou, podemos entender que fomos criados para a felicidade. Esse é o objetivo da criação: a felicidade.
As leituras, deste terceiro domingo da quaresma, são um caminho de retorno à condição-paraíso. A lei, o decálogo, muito mais do que uma imposição, é uma forma de Deus continuar resgatando e amando, conduzindo ao bom caminho. O centro da lei judaica é o cuidado com a vida. E a lei dada pelo Senhor é para a libertação, nunca para a escravidão. Ninguém se escraviza quando serve ao Senhor, porque só pessoas livres o podem fazer. O salmista (Sl 18) nos lembra de que “a lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma”, ainda, “os preceitos do Senhor são preciosos, alegria ao coração”.
Jesus, no Santo Evangelho, tem um cuidado com os lugares de presença do Pai. O templo era, em seu tempo, a maior expressão da presença de Deus. O templo é o lugar do encontro, da Palavra, do culto, da partilha. Porém, estava se tornando uma casa de comércio e de exploração. Vender o sagrado sempre foi uma tentação da humanidade. Na ira de Jesus e no gesto de tomar o chicote, o Cristo revela sua missão: restaurar a casa de Israel. Mas, sua missão não termina por aí: preocupou-se, sobremaneira, com a pessoa humana, lugar privilegiado da presença de Deus. Jesus nos diz do cuidado com a vida, com a pessoa humana na sua complexidade, com o cuidado com a saúde, que é a vida dos povos, fazendo ponte com a Campanha da Fraternidade 2012.
Por fim, São Paulo nos lembra do conteúdo da nossa fé: o Cristo crucificado. Loucura para uns, sabedoria para outros. O convite de olhar para a cruz é perceber um Cristo fidelíssimo à sua missão, também fazer uma leitura do cumprimento da profecia do Cordeiro Imolado para sempre. O sacrifício de Jesus é único e valeu para todas as gerações. Esvaziar a cruz é pregar um Cristo desumano, desencarnado, descomprometido com a vida do seu povo, do seu rebanho.
__________________________________________________________
LITURGIA DA PALAVRA - DOMINGO
quinta-feira, 8 de março de 2012
PARABÉNS, MULHERES!
Frei Mário Sérgio, ofmcap
O dia internacional da mulher é marcado por um desejo profundo de igualdade e de respeito aos direitos básicos do cidadão. O dia 8 de Março é, desde 1975, comemorado pelas Nações Unidas como Dia Internacional da Mulher. Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve ocupando a fábrica, para reivindicar a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias, que recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas.
Verdadeiras mártires dos nossos tempos, essas mulheres continuam gritando por vida mais digna, mais justa, mais respeitada. No século XXI em quem que vivemos quantas conquistas as mulheres já alcançaram. Quantas emancipações! Colhemos os frutos de uma longa caminhada de uma sociedade que tem um desejo de acertar, mas as marcas do pecado social insistem em torná-la uma sociedade fria, machista, assassina, cruel, sem Deus.
A mulher ocupa um lugar muito especial no plano da criação. A ela, Deus concedeu a graça de gerar, de cuidar da vida, de guardar a vida, de continuar o projeto de criação do Pai. Servimo-nos, assim, da Carta às Mulheres, do Beato João Paulo II, para dizer nosso obrigado à mulher-mãe, que se faz ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única e que se torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz; à mulher-esposa, que une o seu destino ao de um homem, numa relação de recíproco dom, ao serviço da comunhão e da vida; à mulher-filha e mulher-irmã, que levam ao núcleo familiar, e depois à inteira vida social, as riquezas da sua sensibilidade, intuição, generosidade e constância; à mulher-trabalhadora, empenhada em todos os âmbitos da vida social, econômica, cultural, artística, política, pela contribuição indispensável que dá à elaboração de uma cultura capaz de conjugar razão e sentimento, à edificação de estruturas econômicas e políticas mais ricas de humanidade; à mulher-consagrada, que se abre com docilidade e fidelidade ao amor de Deus; à mulher, pelo simples fato de ser mulher que, com a percepção que é própria da sua feminilidade, enriquece a compreensão do mundo e contribui para a verdade plena das relações humanas (cf. Carta às Mulheres. João Paulo II, 1995).
quinta-feira, 1 de março de 2012
QUARESMA: TEMPO DE SER DIFERENTE
Frei Mário Sérgio, ofmcap
Ser diferente é uma meta perseguida por muita gente. É uma marca do período de afirmação identitária. Mas, pode ser um sinal de imaturidade muito grande quando a compreensão de diferente implica em sempre ser do contra. Na cultura de massificação em que vivemos, convém ser diferente mesmo. Não dá para se deixar ser levado pela onda de violência, de mediocridade, de futilidade, de corrupção, de “bigbrodização”, que grande parte da sociedade já mergulhou.
O cristão é convidado a ser diferente. Sobretudo, “estar no mundo sem ser do mundo”. Não é para fugir das situações cotidianas, mas não abrir mão de valores ensinados pelo próprio Cristo: amor, perdão, compreensão, verdade etc. Mas, o lugar da santificação do Cristão é no meio do mundo mesmo, sem correr, sem fugir, sem beber do veneno da mentalidade que é contra a vida. Ser santo longe das pessoas e dos conflitos, talvez, seja fácil. Ser santo no meio desse mundão que grita contra Deus, contra o evangelho, contra os cristãos, aí sim, é um desafio cotidiano.
Eu sou convidado a ser diferente. Não precisamos forjar uma diferença ou forçar um modo de vida para parecer diferente. A diferença é fruto de uma mudança de mentalidade. Sem essa mudança profunda, jamais seremos verdadeiramente diferentes, mas seremos uma mentira, uma máscara que um dia cairá. A quaresma é um momento propício de tomar consciência do que somos e do que Deus quer que sejamos. Tempo de ir ao deserto de nós mesmos e deixar Deus falar ao nosso coração. E, onde quer que estejamos, precisamos ser o sinal de contradição, precisamos ser diferentes, por causa do Evangelho.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
I DOMINGO DA QUARESMA - ANO B
O dilúvio e o deserto
Frei Mário Sérgio, ofmcap
O primeiro domingo da quaresma traz uma provocação extraordinária para a nossa vivência de fé: o compromisso batismal. As implicações que derivam desse sacramento ainda não foram suficientemente compreendidas pelos cristãos. Na carta de Pedro, o batismo está na perspectiva da graça, da ressurreição e não em função primordial do pecado. É para tomar consciência da ressurreição. A quaresma é o tempo batismal por excelência. É caminho de travessia do árido deserto às terras férteis. É lugar de provação e de tentação. Provação de Deus em relação à nossa fé e às nossas opções e tentação do demônio de nos propor um caminho mais fácil, mais rápido e, certamente, de infelicidades e desencontros.
Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito. No deserto, ficou por 40 dias e foi tentado pelo demônio. Para assumir a missão, Jesus foi provado à exaustão. Precisou discernir o caminho que iria tomar ao sair do deserto, lugar da provação. E agora, serei um messias triunfalista, correndo atrás da fama e do prestígio ou serei um restaurador de vidas no que elas têm de mais vulnerável? Serei pastor de ovelhas ricas e gordas ou irei atrás das pobres, machucadas, desvalidas? Vou para o trono de ouro ou para o madeiro da cruz? Sem dúvida, Jesus fez seu retiro espiritual porque precisa do silêncio para aquietar seu coração. Mas, Deus também silenciou no tempo em que Jesus estava no deserto?
O anúncio de Jesus de Nazaré ecoava naqueles desertos afora: convertei-vos, o Reino já chegou! Sem a devida e dolorosa mudança interior, nunca conseguiremos enxergar a novidade trazida pelo Cristo: o reino está entre nós! Assim, como Noé passou o tempo todo construindo a arca e convidando o povo a uma mudança de vida, de comportamento, de atitudes e não foi ouvido, parece que o anúncio de Jesus também passa pelos mesmos percalços. Jesus, hoje, é cheio de fãs, pelo mundo inteiro; mas, tenho minhas dúvidas se Ele tem muitos discípulos ultimamente.
O dilúvio, portanto, é o lugar das consequências do pecado da humanidade. Foi a falta de obediência (escuta) aos mensageiros de Deus. Foi o espaço da soberba humana que acha não precisar de Deus para nada. Mas, a água da destruição quando vem, arrasa tudo, destrói e devasta. A água sempre toma o espaço que lhe roubaram. Se as águas do dilúvio destruíram e mataram, as águas do batismo regeneram e ressuscitam.
Por fim, em nossa vida concreta, de modo particular nos desafios da Campanha da Fraternidade 2012 – Fraternidade e saúde pública – nosso povo e nós mesmos, passamos por momentos de dilúvios e desertos: um dilúvio de gente nas filas dos postos e hospitais; um dilúvio de irmãos nos corredores, morrendo à míngua sem a atenção devida; um dilúvio de dinheiro público desviado dos projetos para saúde; um dilúvio de necessitados de remédios caríssimos que roubam a pobre aposentadoria dos idosos; e muitas outras situações. Ao mesmo tempo, um deserto de compromisso com o dinheiro do povo; um deserto de dignidade para os doentes, onde todo mundo se sente fraco, vulnerável, desrespeitado... São tantos desertos que nosso povo tem de atravessar para continuar sobrevivendo!Todos os setores precisam de conversão: a igreja, as pastorais, a política, os movimentos, a sociedade em geral. Pensem bem, esses setores somos nós e nossos engajamentos e atitudes! Conversão já!
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Frei Mário Sérgio, ofmcap
Como não tornar os momentos fortes da nossa fé, em meras repetições? Gestuais sem sentido, sem conexão com a vida que se vive? Que reflexão propor que ainda ninguém tenha falado, escrito, pregado? As redes sociais não se cansam de anunciar que estamos no tempo de quaresma, portanto, de conversão, de mudança, de transformação. Mas, qual o efeito de tudo isso na vivência da fé cristã?
As leituras desta quarta-feira de cinzas apontam para um mesmo caminho: as práticas silenciosas da piedade cristã. Ora, pensar em silêncio quando o mundo só pensar em publicar? No mundo do marketing, das técnicas de melhor aproveitamento das redes sociais para vender um produto, tem sentido esconder as coisas da fé? Então, de qual escondimento fala a Sagrada Escritura? Na primeira leitura (Joel 2.12-18) surge o primeiro escondimento: “rasgai o coração, e não as vestes, e voltai para o Senhor, vosso Deus” (v.13). O perigo de associar a prática religiosa ao espetáculo sempre foi uma tentação presente na Bíblia. O ato que querer aparecer como alguém de piedade, de devoção, de contrição, assim, gozando de um prestígio junto à comunidade, pode tornar a religião, apenas, um ato social que não muda nada, nem ninguém, apenas servindo de controle social. É uma religião, sem dúvida alguma, vazia, estéril, sem frutos. Por isso, o apelo para rasgar o coração (interioridade) e não as vestes (exterioridade), expressa o desejo de Deus para os crentes: mudança interior, sincera, verdadeira, maturada e profunda.
No salmo, aparece outro escondimento: “O meu pecado está sempre à minha frente” (50(51), 2). Importante nunca perder a dimensão do pecado em nossas vidas. Ter o pecado à frente, não é viver um eterno complexo de culpa, até porque a culpa teológica não é culpa psicológica. Culpa teológica é consciência do bem que deveria fazer e não se fez. Culpa psicológica é uma sensação angustiante de uma consciência de um erro, que pode ser real ou virtual. Num mundo onde a noção de pecado se perde a cada dia, as barbáries se tornam mais assustadoras, o individualismo gritante cresce, o secularismo se esparrama, e toda sorte de maldades tomam conta da sociedade. Sem noção de pecado, posso fazer o que quero, mesmo que isso implique a destruição de si mesmo, do mundo, do outro.
O Evangelho (Mateus 6,1-6.16-18) traz três atitudes/práticas que alicerçam a vida do crente em Deus porque todas exigem uma saída de si em direção ao outro. Porém, o próprio Jesus exorta ao escondimento de suas práticas. Exorta ao silêncio que deve acompanhar cada uma delas. A esmola deve ser dada sem tocar a trombeta; a oração deve ser feita no silêncio do quarto; e o jejum deve ser feito com cabeça lavada num cheiroso perfume. A esmola não é para o meu engrandecimento, a oração não é para a minha vaidade e o jejum não é para minha soberba. É interessante a linha tênue entre o bem que se deve fazer e o mal que se faz ou que aparece travestido de boas intenções.
Jesus sempre se preocupou com a intenção do coração humano. A religião não pode servir de canal para o extravasamento das vaidades, das soberbas, do engrandecimento de si próprio, da auto-incensação e toda sorte de outros venenos. Religião é para humanizar a pessoa. Por isso, o melhor exercício de humanização que a religião apregoa é o cuidado concreto com o outro, seja ele quem for e em qual situação estiver. É um exercício constante do Bom Samaritanismo! Assim, o Evangelho nos aponta três caminhos: esmola, oração e jejum.
A segunda leitura (II Coríntios 5,20-6,2) é sempre a experiência das comunidades da riqueza do antigo testamento, com o novo trazido por Jesus. O convite que Paulo faz aos Coríntios é: “Deixai-vos reconciliar com Deus” (v.20). Reconciliar? Sim! O pecado, isto é, a falta de amor, afasta a pessoa de Deus, não Deus da pessoa, que isso fique bem claro! Reconciliar é voltar à amizade com Deus! Paulo continua, “não recebam em vão a graça de Deus” (6,1). O caminho quaresmal é um convite aos peregrinos de ontem e de hoje: pela esmola, pelo jejum e pela oração, construiremos uma relação mais profunda com Deus e transformaremos as relações interpessoais.
Não podemos ficar protelando nossas atitudes, nossas mudanças. As cinzas de hoje nos lembram da vulnerabilidade da nossa vida. Não temos todo o tempo que pensamos que teremos. É a grande ilusão do ser humano: achar que terá tempo para tudo e não se preocupar em fazer o bem que se deve fazer. Por isso, São Paulo exorta: “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (6,2). A quaresma só está no início. Vamos aproveitar esse tempo favorável para uma mudança interior, silenciosa, discreta, mas que tenha reflexos claros na vida dos mais necessitados e na comunidade de fé, transformando a mundo numa espaço de uma saudável convivialidade.
________________________________________
LEITURAS:
Assinar:
Postagens (Atom)

